Irã acusa OTAN de cumplicidade em guerra e critica líder da aliança
Irã critica OTAN e seu secretário-geral por cumplicidade em guerra contra Teerã. Ministério das Relações Exteriores acusa aliança de apoiar ações dos EUA e Israel.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, criticou veementemente a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e seu secretário-geral, Mark Rutte, na madrugada desta quinta-feira (9). Baghaei acusou a aliança militar de ser "cúmplice na guerra" travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, e classificou os países europeus membros da OTAN como não imparciais em meio ao que chamou de "agressão brutal e ilegal".
Em uma publicação na rede social X, o diplomata iraniano detalhou que as nações que cederam territórios, bases militares e infraestrutura para viabilizar as ofensivas não podem se eximir da responsabilidade por sua contribuição em uma "agressão não provocada" e por suas "graves consequências". Baghaei também atacou Rutte pessoalmente, descrevendo sua "insistente autopromoção" como a "mentalidade servil de um cortesão bajulador", que, segundo ele, acredita que a adulação pode apagar o desprezo de um "rei", em uma aparente referência aos Estados Unidos.
Baghaei ironizou a ideia de que a OTAN, descrita por ele como uma "organização ineficaz", poderia se tornar mais forte através da bajulação, argumentando que tal "bajulação manipuladora" jamais restauraria o respeito próprio e a integridade pessoal de quem a pratica.
A declaração do Irã surge em um contexto de escalada de tensões na região. Recentemente, Mark Rutte havia declarado apoio aos ataques promovidos pelos Estados Unidos contra alvos iranianos. Falando a jornalistas antes de uma cúpula da aliança em Ancara, Rutte considerou a ação militar "absolutamente necessária", citando violações de um cessar-fogo e ataques a navios como justificativas para a reação americana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua vez, declarou que o memorando de entendimento firmado com o Irã estava "acabado", após a série de ataques, e que "é uma perda de tempo negociar com eles". A Guarda Revolucionária do Irã confirmou ataques contra alvos no Kuwait e no Bahrein, enquanto o CENTCOM (Comando Central dos EUA) reportou que os EUA concluíram ataques contra cerca de 90 alvos iranianos. Especialistas apontam que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, seria o maior beneficiário do fim do cessar-fogo na região.