Haiti: 5 anos após morte de presidente, violência e crises se agravam

Haiti completa 5 anos do assassinato do presidente Jovenel Moise em meio a escalada de violência. Gangues controlam a capital, e nova missão da ONU tenta restaurar a ordem, enquanto recrutamento de crianças por facções preocupa.

Haiti: 5 anos após morte de presidente, violência e crises se agravam

Cinco anos após o assassinato do presidente Jovenel Moise em sua residência em Porto Príncipe, o Haiti continua imerso em um ciclo de violência que se intensificou, agravando as crises humanitária, econômica e institucional. Gangues, muitas vezes ligadas a grupos políticos, dominam a maior parte da capital e expandem seu controle para áreas rurais.

A comunidade internacional tenta conter o avanço das milícias armadas com a Força de Supressão de Gangues (GSF), uma missão multinacional autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU. Esta nova força substitui a Missão Multinacional de Apoio à Segurança, liderada pelo Quênia, que, apesar de alguns sucessos pontuais, não conseguiu deter a expansão dos grupos criminosos e deixou o país em abril deste ano. A GSF, que reúne agentes de diversos países, espera atingir seu efetivo planejado de 5.500 integrantes até o final do ano.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, visitou o Haiti em junho e destacou a oportunidade que a nova missão oferece para "conter a violência e restaurar a autoridade do Estado". No entanto, a situação permanece crítica. Em meados de junho, James Boyard, diretor de gabinete do Ministério da Defesa e inspetor-geral da Polícia Nacional do Haiti, foi sequestrado, marcando um dos sequestros de maior escalão hierárquico recentes.

Dados da Acled, organização que monitora conflitos armados, indicam que o número de confrontos entre grupos armados no primeiro semestre de 2026 permanece em níveis comparáveis aos de 2023 e 2024, ficando abaixo apenas do pico histórico de violência registrado em 2025. Cerca de 90% da capital haitiana já estaria sob controle de gangues.

Grupos armados com objetivos políticos, classificados como "milícias políticas", são os principais responsáveis por mortes em conflitos, enfrentando forças estatais, civis e outras gangues. Uma preocupação crescente é o recrutamento de menores por essas facções. Um relatório do Unicef aponta que, em 2025, entre 30% e 50% dos membros de facções armadas eram menores de idade, alguns com apenas 9 anos, triplicando o número registrado no período anterior. A violência também gerou um deslocamento recorde de 1,4 milhão de pessoas no país.