Guerra na Ucrânia: Mães enfrentam estresse extremo e riscos na gravidez

Guerra na Ucrânia eleva riscos para gestantes com aumento de mortalidade materna e queda nos nascimentos. Ataques a hospitais e estresse transformam gravidez em desafio, com partos ocorrendo em abrigos.

Guerra na Ucrânia: Mães enfrentam estresse extremo e riscos na gravidez

A guerra em larga escala na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, impõe um fardo adicional e angustiante às mulheres grávidas, transformando a gestação em um desafio perigoso. Relatos como o de Inna Slavhorodska, de 38 anos, que sofreu um aborto espontâneo após fugir dos combates no leste do país, e posteriormente deu à luz em um hospital bombardeado por drones russos, ilustram a dura realidade.

O estresse psicológico e físico provocado por bombardeios constantes, deslocamentos forçados, ocupação de territórios e frequentes apagões tem um impacto direto na saúde materna. Dados recentes compilados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros, citados pelas Nações Unidas, indicam um aumento de mais de um terço na mortalidade materna na Ucrânia entre 2023 e 2024. Essa elevação é atribuída a ataques a instalações de saúde, ao estresse generalizado e ao deslocamento de populações.

## Queda nos Nascimentos e Impacto na Infraestrutura

Além do aumento da mortalidade materna, a guerra também resultou em uma diminuição significativa no número de nascimentos. Em 2023, nasceram na Ucrânia pouco mais de 168 mil crianças, um número consideravelmente inferior às quase 274 mil registradas em 2021, antes da invasão em larga escala. Especialistas apontam que parte dessa queda se deve ao fato de que os nascimentos de ucranianas refugiadas em outros países europeus não estão sendo contabilizados na Ucrânia. Outras mulheres adiaram a maternidade, com maridos servindo nas Forças Armadas.

O estresse da guerra, no entanto, é apontado por médicos como um fator crucial que torna a gravidez e o parto mais complicados. A infraestrutura de saúde também sofre com os ataques. Segundo a ONU, mais de 80 hospitais de maternidade e unidades neonatais foram danificados ou destruídos. Em resposta, muitos hospitais transferiram leitos e salas de cirurgia para porões, e milhares de partos passaram a ocorrer no subsolo. Unidades próximas à linha de frente receberam apoio da ONU para construir abrigos antibombas equipados como salas de parto.

## Experiências de Medo e Resiliência

As experiências das gestantes e puérperas em meio aos alertas aéreos e ataques são marcadas pelo medo. Em cidades como Dnipro, mulheres em maternidades precisaram levar seus recém-nascidos para corredores, longe de janelas, em momentos de iminente perigo. Em Kharkiv, Anastasia Lotkova, 25 anos, desenvolveu rituais, como se refugiar no banheiro com um cobertor e gritar, para lidar com as explosões e o som dos drones. Os cortes de energia e aquecimento durante o inverno também adicionaram um fardo extra, com temperaturas baixas em apartamentos.

A situação é igualmente desafiadora para as cerca de 70 mil mulheres que servem no Exército ucraniano. Uniformes militares adaptados para gestantes são escassos, e o cuidado pré-natal oferecido por médicos militares nem sempre é adequado às necessidades específicas da gravidez. Iryna Dolhopolova, 31 anos, serviu como paramédica até o sétimo mês de gestação em áreas de risco, evacuando feridos sob o sobrevoo de drones, antes de dar à luz sua terceira filha. Apesar dos perigos, a decisão de trazer uma nova vida ao mundo reflete a resiliência e a esperança em meio ao conflito.