Guerra Irã-EUA escala e atinge infraestrutura civil e navios

Escalada de conflitos entre Irã e EUA: ataques a infraestruturas civis e navios comerciais no Estreito de Ormuz expõem fracasso de acordos e levantam preocupações sobre segurança marítima global.

Guerra Irã-EUA escala e atinge infraestrutura civil e navios

A escalada da guerra no Oriente Médio, com o fracasso do acordo de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, resultou em ataques a infraestruturas civis e incidentes com navios comerciais. Desde o dia 28 de fevereiro, milhares de vidas foram perdidas em meio a bombardeios que atingiram pontes, hospitais, usinas de dessalinização de água, de produção de combustíveis e até canteiros de obras de usinas nucleares no Irã. Em resposta, o Irã intensificou ataques contra alvos em países do Golfo, como Jordânia, Bahrein e Kuwait, visando bases militares americanas e infraestruturas civis.

## Crise no Transporte Marítimo

Na costa de Omã, dois navios administrados pela empresa grega Dynacom Tankers foram atingidos por projéteis de origem desconhecida. O petroleiro Kavomaleas, de bandeira maltesa, sofreu um incêndio na casa de máquinas após ser atingido por dois projéteis, levando à evacuação da tripulação, que foi resgatada em segurança pelas autoridades omanenses. Um segundo navio, o petroleiro Acheloos, de bandeira liberiana, também foi atingido, mas sem relatos de poluição. Ambos navegavam pelo corredor sul do Estreito de Ormuz, uma rota facilitada pelos Estados Unidos e crucial para o transporte de petróleo.

A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou que dois petroleiros "explodiram" ao tentar utilizar uma rota sul considerada insegura no estreito. Em um incidente separado, um terceiro navio administrado pela Dynacom, o Asia, foi atingido por um drone no Mar Negro, próximo à Rússia. A tripulação conseguiu controlar o incêndio a bordo.

## Análises e Estratégias em Xeque

Especialistas em segurança e geopolítica avaliam que o acordo entre EUA e Irã não passou de uma "mentira" ou "manobra diversionista" de Washington, especialmente diante do fechamento do Estreito de Ormuz e da baixa nas reservas de petróleo. O major-general português Agostinho Costa aponta que os EUA demonstram falta de estratégia na nova fase da guerra, repetindo bombardeios aéreos sem resultados anteriores e sem intenção de invasão terrestre. Ele sugere que o Irã tem mantido suas capacidades ofensivas eficazes.

O cientista político Ali Ramos destaca os ataques iranianos mais pesados contra a Jordânia, que se tornou um hub logístico para a Força Aérea americana. Ele também ressalta que os objetivos anunciados pelos EUA, como o fim do programa nuclear iraniano e do apoio a milícias, não estão sendo alcançados. A estratégia americana de "terra arrasada", exemplificada pelo ataque a uma fábrica de dessalinização, pode, segundo ele, dar mais legitimidade ao regime iraniano. Analistas consultados pela Agência Brasil indicam que a agressão buscava inicialmente a "troca de regime" no Irã e a contenção da expansão chinesa na região, com o objetivo de consolidar a hegemonia de Israel. Diante do fracasso, os EUA agora buscam retomar o status de navegação no Estreito de Ormuz.