Fim do cessar-fogo EUA-Irã beneficia Netanyahu, aponta especialista
Professor da UFRJ aponta Benjamin Netanyahu como principal beneficiário do fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, devido ao impacto político interno.

O recente rompimento do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, marcado por ataques mútuos, pode ter um beneficiário inesperado: o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Segundo Fernando Brancoli, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a escalada das tensões no Oriente Médio favorece diretamente a posição política de Netanyahu dentro de Israel.
## Crise Interna Israelense
Israel atravessa um período de severas dificuldades econômicas e políticas. Dados recentes indicam queda nos índices do Produto Interno Bruto (PIB), impactado pelos conflitos em curso, e um déficit de mão de obra na indústria, devido à mobilização de parte da população para as Forças Armadas. Brancoli destaca que essa crise econômica se soma a uma crise política interna, onde disputas pela sucessão de Netanyahu estão em curso.
O professor argumenta que Netanyahu se utiliza da manutenção e intensificação do conflito como uma estratégia para evitar sua substituição no poder. Além disso, a situação de guerra serve como escudo contra potenciais investigações sobre acusações de corrupção e para minimizar questionamentos sobre sua capacidade de resposta após os ataques do Hamas em outubro. "Se tem alguém comemorando nesse momento, certamente é Netanyahu, na medida em que se apropria desse estado de exceção para garantir que não vá sofrer consequências políticas internamente dentro de Israel", afirmou Brancoli.
## Pressões Regionais e Contexto Americano
A análise de Brancoli também abrange as pressões de aliados regionais, como Arábia Saudita e Emirados Árabes, cujas economias sofrem com os impactos da guerra. Ele compara a situação a um "cabo de guerra", onde diferentes aliados tentam influenciar os Estados Unidos em direções distintas.
No cenário doméstico americano, as eleições de meio de mandato (mid-term elections) no final do ano são um fator de atenção, especialmente com a preocupação do presidente Donald Trump em relação ao aumento da inflação e dos preços dos alimentos. O potencial fechamento do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial, agravaria esse quadro. O professor enfatiza a necessidade de observar simultaneamente as dinâmicas internas dos EUA e de Israel, o contexto iraniano, os aliados do Golfo e a complexidade adicional representada pelo Líbano.