Ex-atleta olímpico se declara inocente de vandalismo contra monumento de Trump

Ex-atleta olímpico David Hearn se declara inocente de vandalizar monumento de Trump. Defesa alega que governo usa caso para esconder falhas em reforma milionária.

Ex-atleta olímpico se declara inocente de vandalismo contra monumento de Trump

O ex-canoísta olímpico David Hearn, de 67 anos, declarou-se inocente nesta quinta-feira (9) das acusações de vandalismo contra o Espelho d'Água do Memorial Lincoln, em Washington, D.C. O monumento, que recentemente passou por uma reforma financiada pelo governo do presidente Donald Trump, tornou-se palco de uma controvérsia que colocou o atleta no centro das atenções. Trump acusou Hearn de sabotar a obra, que faz parte das comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos.

Hearn responde por destruição de patrimônio público, um crime que pode acarretar até dez anos de prisão. Segundo a Promotoria Federal, o incidente teria ocorrido em 19 de junho, quando Hearn teria arrancado parte do revestimento azul instalado no fundo do espelho d'água. A denúncia aponta que o ex-atleta danificou uma área de aproximadamente 0,2 metro quadrado, gerando um prejuízo estimado em mais de US$ 1 mil (cerca de R$ 5,1 mil). A acusação formal foi apresentada pela procuradora federal Jeanine Pirro, indicada por Trump.

A reforma do espelho d'água, um dos pontos turísticos mais importantes da Esplanada Nacional, custou US$ 14,7 milhões (aproximadamente R$ 75,3 milhões). A alteração mais notável foi a pintura do fundo com a cor azul, em alusão à bandeira americana, como parte das celebrações cívicas. Contudo, a obra rapidamente se tornou alvo de críticas e problemas.

## Problemas na Obra e Acusações de Sabotagem

Poucos dias após a reinauguração, a água do monumento apresentou coloração esverdeada, atribuída à proliferação de algas, e partes do novo revestimento começaram a se soltar. Donald Trump atribuiu essas falhas a atos de sabotagem, sugerindo que indivíduos teriam lançado produtos químicos na água e danificado o revestimento. Ele chegou a afirmar que cerca de 90 metros do material foram cortados.

A defesa de David Hearn, no entanto, contesta veementemente as acusações. Os advogados argumentam que o governo estaria usando o caso como uma cortina de fumaça para desviar a atenção das falhas e dos problemas técnicos da própria reforma. Segundo eles, Hearn apenas teria tocado em um pedaço do revestimento que já estava solto enquanto passava de bicicleta pela área, negando qualquer intenção de danificar o patrimônio.

## Segurança Reforçada e Novos Reparos

Em resposta aos incidentes de vandalismo, o Departamento do Interior informou a prisão de pelo menos seis pessoas suspeitas de danificar a área. Medidas de segurança foram intensificadas, com a mobilização da Guarda Nacional e da Polícia de Parques para proteger o monumento, que permaneceu interditado durante as celebrações do 4 de julho. Apesar disso, Trump indicou a necessidade de esvaziar o espelho d'água novamente para realizar novos reparos, evidenciando a persistência dos problemas na obra.