EUA e Irã trocam ataques: petróleo dispara e sanções são restabelecidas
EUA e Irã trocam ataques militares no Oriente Médio após bombardeios e retaliação. Petróleo dispara e sanções são restabelecidas, afetando mercados globais.

A escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã intensificou-se com uma troca de ataques militares, reacendendo preocupações globais sobre a estabilidade no Oriente Médio e o fornecimento de energia.
Na noite de terça-feira (7), os Estados Unidos lançaram uma série de bombardeios contra alvos no Irã, em resposta a ataques iranianos contra três navios mercantes no Estreito de Ormuz. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), mais de 60 embarcações de pequeno porte da Guarda Revolucionária Islâmica estavam entre os alvos atingidos, numa tentativa de impor um alto custo ao Irã pelos ataques contra a navegação, considerados uma violação clara e perigosa do cessar-fogo e que comprometem a liberdade de navegação.
Em retaliação, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait na madrugada de quarta-feira (8). Segundo o comunicado iraniano, a operação conjunta com mísseis e drones atingiu 85 instalações militares estratégicas dos EUA, incluindo a sede da Quinta Frota Naval em Bandar Salman (Bahrein) e a Base Aérea Ali Al Salem (Kuwait). O Irã também alegou ter abatido um drone americano MQ-9 que tentava interferir na operação.
## Impacto nos Mercados e Sanções
A nova onda de hostilidades teve um impacto imediato nos mercados globais. Os preços do petróleo dispararam, com o Brent subindo 5,8% para US$ 76,20 por barril e o WTI avançando 2,75% para US$ 72,38, segundo a CNN Brasil. A InfoMoney reportou que o petróleo WTI subiu 5,01% e o Brent 5,12%.
Paralelamente ao confronto militar, os Estados Unidos revogaram uma licença geral que autorizava a venda de petróleo iraniano. A decisão, que deu ao Irã prazo até 17 de julho para encerrar as transações, foi condenada pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã, que a classificou como uma violação do memorando de Islamabad para encerrar a guerra e prometeu uma "resposta devastadora".
## Fragilidade do Acordo e Contexto Regional
Esses eventos representam um duro golpe para o frágil acordo de cessar-fogo firmado entre os dois países no mês anterior. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os EUA de violarem o acordo, citando os bombardeios, a reimposição de sanções ao petróleo, violações no Estreito de Hormuz e ataques israelenses ao Líbano.
Analistas apontam que o controle do Estreito de Hormuz confere ao Irã uma forte vantagem estratégica, permitindo-lhe criar um impasse com os EUA, especialmente durante negociações de um acordo de paz de longo prazo. A crise ocorre em um momento de sensibilidade política interna no Irã, após a morte do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, em um conflito recente.
Além disso, pelo menos quatro petroleiros e navios transportadores de gás desistiram de cruzar o Estreito de Ormuz, segundo dados de rastreamento marítimo, devido às crescentes preocupações com segurança na via de navegação estratégica. O Valor Econômico mencionou que, além dos alvos militares, a ofensiva dos EUA atingiu sistemas de defesa aérea, vigilância costeira e mais de 60 pequenas embarcações iranianas. A mídia iraniana reportou explosões na ilha de Kharg, principal ponto de exportação de petróleo do país.