EUA e Irã: Mediadores buscam evitar guerra após escalada de tensões

EUA e Irã em tensão: mediadores tentam evitar guerra após escalada de ataques. Trump encerra cessar-fogo, mas aceita negociações. Estreito de Ormuz é foco de disputa.

EUA e Irã: Mediadores buscam evitar guerra após escalada de tensões

Mediadores regionais intensificaram esforços nesta sexta-feira para evitar uma escalada militar entre Estados Unidos e Irã, em um cenário de discurso ambíguo que mescla ameaças de guerra com abertura para negociações. Embora a intensidade dos ataques tenha diminuído nas últimas horas, o presidente americano, Donald Trump, declarou o cessar-fogo firmado em abril como encerrado, mas afirmou ter aceitado retomar conversas com o Irã.

Trump comunicou via plataforma Truth Social que o Irã solicitou a continuidade das conversas, e os EUA concordaram, mas deixaram claro que o cessar-fogo foi finalizado. O Catar, principal mediador da trégua de abril, tem mantido contato com autoridades de ambos os países para tentar reduzir as tensões e impedir que a recente sequência de ataques evolua para uma nova fase do conflito iniciado em fevereiro.

O clima na região permanece volátil. Países do Oriente Médio com bases militares americanas, como Bahrein, Kuwait e Jordânia, relataram ataques iranianos. Em contrapartida, Teerã ameaçou ampliar suas ações contra instalações dos EUA caso os bombardeios americanos persistam. Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, advertiu que ataques contra infraestrutura seriam respondidos com ações recíprocas, enquanto o governo iraniano acusou Washington de atingir linhas ferroviárias no norte do país.

A atual crise abala o cessar-fogo de 8 de abril, que encerrou semanas de confrontos após ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã em fevereiro. Desde então, o acordo foi marcado por sucessivos episódios de violência, com embarcações comerciais atacadas no Estreito de Ormuz, bombardeios americanos em resposta e retaliações iranianas com drones e mísseis contra ativos dos EUA.

O Estreito de Ormuz tornou-se ponto central da disputa, com Washington acusando o Irã de ameaçar o tráfego marítimo e Teerã defendendo o uso de corredores específicos próximos às suas águas. A divergência expôs ambiguidades em um memorando de entendimento assinado em junho, que previa a colaboração iraniana para garantir a passagem segura de embarcações, mas sem detalhar como isso deveria ocorrer.

Na véspera, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou ter atingido mais de 170 alvos iranianos nas 48 horas anteriores, em uma das maiores operações militares desde a trégua. Os bombardeios visavam instalações militares na costa iraniana para reduzir a capacidade de Teerã de ameaçar a navegação no estreito. Segundo o Ministério da Saúde do Irã, os ataques deixaram ao menos 14 mortos e 78 feridos, ocorrendo durante cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei.

Apesar de declarar o fim do cessar-fogo, Trump sinalizou a possibilidade de uma saída diplomática, mencionando conversas com enviados especiais. Ele acusou o Irã de distorcer os termos do acordo, mas afirmou que a continuidade das negociações dependerá das autoridades iranianas. Relatos de explosões no sul do Irã, apesar de não haver novos ataques anunciados pelo Centcom, aumentaram os temores de uma nova escalada, evidenciando a fragilidade do impasse.