EUA e Irã intensificam conflito por Estreito de Ormuz; tráfego marítimo para

Nova escalada de ataques entre EUA e Irã paralisa tráfego no Estreito de Ormuz, rota vital para o petróleo mundial. Tensão aumenta com ameaças e vítimas.

EUA e Irã intensificam conflito por Estreito de Ormuz; tráfego marítimo para

O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, corredor vital para o transporte global de petróleo, ficou praticamente paralisado após uma nova escalada de ataques entre Estados Unidos e Irã. A disputa pela definição das condições de navegação na estratégica via, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, levou a uma instabilidade na frágil trégua entre as nações.

## Escalada de Ataques e Ameaças

Os Estados Unidos confirmaram ter lançado ataques contra alvos iranianos pelo segundo dia consecutivo, em retaliação a ofensivas iranianas contra navios comerciais na região. Segundo fontes americanas, cerca de 90 alvos militares iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis e drones, foram atingidos. A Guarda Revolucionária iraniana, por sua vez, anunciou ter atingido bases americanas no Bahrein e no Kuwait, além de alvos no Catar, em resposta às ações de Washington. O Irã ameaçou fechar a rota marítima novamente, elevando os temores de impactos no abastecimento global.

## Impacto no Tráfego Marítimo

Dados de rastreamento de navios indicam que os movimentos no Estreito de Ormuz foram severamente restritos. Na quarta-feira, apenas cerca de 14 navios mercantes cruzaram o estreito, um número significativamente menor do que a média diária de 34 observada nas semanas anteriores, após um acordo provisório. O corredor omanita, apoiado pelos EUA, permaneceu tranquilo, enquanto a rota mais próxima ao norte, aprovada pelo Irã, viu a passagem de poucas embarcações, incluindo um superpetroleiro autorizado pelos EUA e um navio porta-contêineres iraniano. A possibilidade de embarcações desligarem seus transponders dificulta o monitoramento completo da atividade.

## Contexto Histórico e Econômico

O Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é uma "artéria" da indústria petrolífera. Seu fechamento ou instabilidade tem histórico de forte impacto na economia global, derrubando preços do petróleo. O Irã insiste em controlar a passagem e cobrar pedágios, enquanto os EUA defendem a liberdade de navegação. Recentemente, um acordo provisório em meados de junho havia reaberto o estreito, mas a escalada de ataques desfez essa melhora, retomando a tensão.

## Vítimas e Reações Internacionais

Os ataques americanos deixaram, segundo o Ministério da Saúde do Irã, 14 mortos e 78 feridos, com 47 hospitalizados. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu "medidas imediatas para reduzir a tensão" e a retomada do diálogo. Omã, vizinho do estreito e tradicional mediador, condenou os ataques, mas evitou atribuir responsabilidade ao Irã para manter sua neutralidade. A situação também gerou preocupações sobre a segurança de cerca de 6 mil marinheiros presos no Golfo Pérsico.

## Posicionamento dos Líderes

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a trégua estava encerrada após a primeira troca de ataques, mas chegou a abrir a possibilidade de diálogo, embora questionando a sanidade dos iranianos. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Ormuz só será aberto sob "disposições iranianas". A situação reflete a disputa pelo controle de uma das rotas comerciais mais importantes do planeta.