EUA atacam Irã e revogam sanções após ofensiva contra navios em Ormuz
EUA lançam ataques contra Irã e revogam sanções ao petróleo após ofensiva iraniana contra navios no Estreito de Ormuz, elevando tensões e cotações da commodity.

Os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã como resposta a uma ofensiva iraniana contra três navios comerciais no Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para o comércio mundial de petróleo. O Comando Central das Forças Armadas americanas (Centcom) informou que a operação visa impor "custos elevados" ao Irã por sua "agressão injustificada e perigosa". As ações ocorreram apesar de um cessar-fogo firmado anteriormente entre os dois países e em meio a negociações para um acordo de paz definitivo.
## Reação Americana e Consequências
Em resposta direta aos incidentes, o Departamento do Tesouro americano revogou uma licença que permitia a venda de petróleo iraniano. Essa medida, que entra em vigor a partir de 7 de julho, suspende a autorização para transações de petróleo do Irã, que estava vigente por 60 dias e permitia a movimentação de hidrocarbonetos iranianos. A decisão, classificada como "totalmente inaceitável" por um funcionário do Tesouro, fez as cotações internacionais do petróleo dispararem. O barril do tipo Brent fechou em alta de 3,01%, a US$ 74,16, enquanto o WTI subiu 2,16%, a US$ 70,44.
## Ataques e Responsabilidades
Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, três navios foram atingidos por projéteis no Estreito de Ormuz, sem registro de feridos ou danos ambientais. O Catar responsabilizou o Irã pelo ataque a um de seus navios petroleiros, o "Al Rekayyat", e convocou o vice-embaixador iraniano para prestar queixa. A Arábia Saudita também atribuiu ao Irã a responsabilidade por um ataque a um de seus petroleiros, o "Wedyan". O Irã, por sua vez, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, considerou as acusações do Catar "questionáveis" e "inaceitáveis".
## Contexto das Negociações
Os ataques e a subsequente revogação da licença ocorrem em um momento delicado das negociações entre EUA e Irã. Um memorando de entendimento assinado em junho previa a remoção de sanções americanas ao Irã em um cronograma acordado, com suspensões temporárias de 60 dias para permitir o avanço das negociações técnicas. Apesar da escalada de tensões, um funcionário do governo americano afirmou à Reuters que os negociadores continuam atuando "de boa-fé" para buscar um acordo de paz. No entanto, analistas sugerem que a revogação da licença pode indicar o fim deste memorando de entendimento.