Escalada no Oriente Médio: EUA bombardeia Irã e navios desviam de Ormuz

EUA bombardeiam Irã e restabelecem sanções após ataques a navios no Estreito de Ormuz. Quatro embarcações desviam da rota por insegurança.

Escalada no Oriente Médio: EUA bombardeia Irã e navios desviam de Ormuz

A tensão no Oriente Médio escalou nesta terça-feira (7) com os Estados Unidos bombardeando o Irã em retaliação a ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. A ação militar americana, confirmada pelo Comando Central dos EUA (Centcom), reestabelece sanções sobre o petróleo iraniano, após a revogação de uma isenção temporária que vigorava até 21 de agosto. O Irã, por sua vez, acusou os EUA de violarem um memorando de entendimento e ameaçou retaliar.

Os ataques ao Irã foram uma resposta direta às agressões contra três navios comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz. Um navio-tanque catariano de gás natural liquefeito (GNL) e um petroleiro de bandeira saudita foram danificados na região. O Catar responsabilizou o Irã pelos ataques, classificando-os como "inaceitáveis" para a navegação internacional, enquanto o Irã expressou "consternação" com as acusações e as negou.

Em consequência da crescente insegurança, pelo menos quatro navios, incluindo três petroleiros de GNL catarianos (Al Ghariya, Duhail e Al Ruwais) e um petroleiro de bandeira indiana, desistiram de cruzar o Estreito de Ormuz e mudaram de rota. Esses navios estavam vazios e se dirigiam a terminais para carregar mercadorias. A agência britânica de segurança marítima UKMTO reportou um "projétil desconhecido" atingindo um petroleiro, seguido por ataques a outras duas embarcações, uma delas possivelmente por drone.

A instabilidade na região afeta diretamente o fluxo marítimo de energia. A fila de navios vazios aguardando para carregar em Ras Laffan, no Catar, ultrapassou dez embarcações, e mais de 50 navios controlados por QatarEnergy e ADNOC estão posicionados na área do Golfo, Índia e Estreito de Malaca, alguns com sistemas de identificação automática desligados há mais de dez dias.

Apesar dos riscos, dois superpetroleiros conseguiram deixar o estreito. O VLCC Tenjun, com carga do Catar, e o VLCC Pertamina Pride, transportando petróleo bruto da Arábia Saudita, saíram da área, um deles com o transponder desligado. A situação reascende preocupações sobre a liberdade de navegação na principal rota de exportação de energia do Golfo, em um momento delicado das negociações entre Teerã e Washington.

Os preços do petróleo subiram mais de 2% com os novos ataques, refletindo o temor por interrupções no abastecimento global. Especialistas apontam que o Irã busca impor taxas aos navios que utilizam a passagem marítima, enviando um sinal claro de que não aceitará alternativas a esse sistema.