Drones Aterrorizam Civis no Sudão em Nova Fase de Guerra
Guerra no Sudão entra em nova fase letal com uso intensivo de drones. Ataques aéreos em El-Obeid matam e ferem civis, evidenciando o terror e a imprevisibilidade do conflito aéreo.

A população civil do Sudão vive sob constante terror devido aos ataques de drones, uma nova e aterrorizante realidade na guerra civil que assola o país há mais de três anos. Em El-Obeid, cidade estratégica com mais de meio milhão de habitantes, o medo agora vem do céu. O que antes era o temor de combates terrestres, deu lugar à apreensão de ataques aéreos repentinos e imprevisíveis.
## O Custo Humano dos Ataques
Relatos chocantes emergem de El-Obeid, onde civis como Elsadig, de 27 anos, perderam membros em ataques de drones. Ele teve sua perna esquerda decepada enquanto buscava água em um posto de caminhões-pipa. Ahmado, um motorista de 42 anos, perdeu seu filho de 9 anos, que o visitava após a escola, em um ataque que atingiu o mesmo local. O menino morreu carbonizado dentro do caminhão, em meio a outros dois colegas que também foram vítimas fatais. Essas histórias ilustram a brutalidade e a indiscriminada natureza desses ataques, que transformaram a vida cotidiana em um campo de batalha aéreo.
## Drones Moldam o Conflito
A guerra no Sudão, iniciada em abril de 2023 após uma disputa de poder entre Abdel Fattah al-Burhan, chefe das Forças Armadas do Sudão (SAF), e Mohamed Hamdan Dagalo, líder das Forças de Apoio Rápido (RSF), está sendo significativamente remodelada pelo uso crescente de drones. A chegada em larga escala desses armamentos, muitos de origem estrangeira, marca uma nova e mais letal fase do conflito. Relatórios indicam que, apenas nos primeiros quatro meses de 2026, ataques de drones foram responsáveis por mais de 80% das mortes de civis registradas pela ONU, totalizando pelo menos 880 vítimas.
## A Nova Arma Aérea
O que começou como uma guerra terrestre evoluiu para uma batalha travada predominantemente pelo ar. Tanto as SAF quanto as RSF expandiram suas frotas de drones, que vão desde modelos comerciais adaptados até sistemas militares avançados. Drones fornecidos pela Turquia, como os Bayraktar TB2s, foram cruciais para a expulsão da RSF da capital, Cartum, no ano passado. Por outro lado, a RSF utiliza drones chineses FH-95, capazes de atingir alvos a longa distância, com alguns sistemas ligados a fornecedores nos Emirados Árabes Unidos. A dificuldade em identificar os responsáveis pelos ataques, devido à complexidade da cadeia de suprimentos e ao uso de drones por ambos os lados, agrava a situação e dificulta a responsabilização.