Cuba: Apagões e protestos eclodem em Havana com crise de combustível

Apagões em Cuba geram protestos em Havana. Moradores batem panelas e pedem luz em meio à crise de combustível causada por sanções dos EUA.

Cuba: Apagões e protestos eclodem em Havana com crise de combustível

Protestos pontuais irromperam em Havana na noite de terça-feira (7), com moradores batendo panelas, buzinando e gritando "acendam as luzes". Milhões de cubanos enfrentam mais um apagão generalizado, agravado pela escassez de combustível que já dura seis meses, em decorrência de um bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Este foi o terceiro apagão nacional em Cuba no ano.

A UNE, operadora da rede elétrica cubana, informou ter restabelecido a conexão entre as extremidades oeste e leste da ilha no final da terça-feira. Contudo, diversas regiões, incluindo Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país, permaneceram sem energia. A crise energética se intensificou após os EUA cortarem o fornecimento de combustível para a ilha e imporem novas sanções, levando à retirada de empresas estrangeiras e a um colapso quase total do turismo.

Washington alega que suas ações visam pressionar o regime comunista a realizar eleições e libertar presos políticos. Por outro lado, o governo cubano e as Nações Unidas sustentam que as sanções americanas violam o direito internacional e os direitos humanos.

Em bairros periféricos de Havana, como Jaimanitas e Santa Fé, centenas de moradores saíram às ruas, muitos resignados a mais uma noite quente e sem eletricidade. "Não vejo uma solução rápida", desabafou um morador. "Nossas usinas são obsoletas e não há combustível." Em algumas áreas de Santa Fé, o retorno da energia coincidiu com o início dos protestos, levando manifestantes a retornarem apressadamente para casa.

As negociações entre Cuba e os Estados Unidos estão estagnadas. Durante um debate na Assembleia Geral da ONU, o embaixador americano Michael Waltz culpou o governo cubano pelo colapso energético, incentivando o regime a "reacender a luz para o seu povo". No entanto, a maioria dos países que discursaram na ONU pediu o fim do bloqueio econômico imposto pelos EUA à ilha.