Centenas de Rohingyas Desaparecem em Naufrágio Mianmar
Mais de 500 rohingyas desaparecem em Mianmar após naufrágio de barcos a caminho da Malásia. ONU teme tragédia humanitária em meio à perseguição da minoria muçulmana.

Mais de 500 pessoas da minoria muçulmana rohingya podem ter morrido após o naufrágio de duas embarcações na costa de Mianmar. As embarcações, que partiram do estado de Rakhine no final de junho com destino à Malásia, transportavam refugiados que buscavam uma vida melhor, fugindo da perseguição em seu país. A Organização das Nações Unidas (ONU) expressou profunda preocupação com o desaparecimento de centenas de indivíduos.
## Crise Humanitária e Perseguição
Nur Kalima, esposa de um dos desaparecidos, Abdul Rahman, teme o pior após semanas sem contato. Ela relata que traficantes de pessoas exigiram cerca de US$ 3.000 pela segurança de seu marido, um sinal da perigosa rota migratória. A história de Nur Kalima reflete a desesperadora situação de mais de 1 milhão de rohingyas que vivem em campos de refugiados em Bangladesh desde que foram expulsos de Mianmar há quase uma década. Nesses campos, o acesso à educação e ao emprego é limitado, e a ajuda humanitária internacional tem diminuído.
## Rotas Perigosas e Falta de Ação
Um dos barcos perdeu contato com a terra logo após zarpar, enquanto o outro teria virado aproximadamente uma semana depois. Não há relatos de resgates. Lynn Htet, pesquisador da Fortify Rights, lamenta a falta de mobilização internacional para ajudar os rohingyas, contrastando com a atenção dada a outras crises. "Se as pessoas nos barcos fossem do Ocidente, muitos países teriam se unido para formar grupos de busca. Mas os rohingyas não têm nenhuma influência. São pessoas invisíveis", afirmou.
## Histórico de Tragédias
Segundo a ONU, cerca de 5.000 rohingyas morreram afogados no mar na última década, com 2025 sendo o ano mais mortal. Médicos Sem Fronteiras alertou que a tragédia evidencia as consequências da perseguição e negação de direitos básicos sofridas pelo povo rohingya. A minoria apátrida é vítima de perseguição há décadas, e uma operação militar em 2017 foi classificada como genocídio pela ONU e pelos Estados Unidos. Relatos de sobreviventes de outros naufrágios, como o ocorrido em abril com 250 migrantes, descrevem condições desumanas em embarcações superlotadas, levando a mortes antes mesmo de os barcos virarem.