Vazamento em Manaus: 414 atendidos em cinco dias e multa de R$ 23 milhões
Vazamento químico em Manaus afeta 414 pessoas em cinco dias. Empresa é multada em R$ 23 milhões e unidade é parcialmente interditada.

O vazamento de monômero de estireno, substância usada na fabricação de borrachas e polímeros, em uma indústria de Manaus (AM) completa cinco dias neste domingo (19), com um total de 414 pessoas atendidas por sintomas associados à exposição ao produto químico. Um óbito em investigação e um paciente em UTI marcaram o período.
O incidente teve início na tarde de quarta-feira (15) na fábrica da Innova, especializada em resinas termoplásticas. Um dos três tanques de armazenamento liberou vapores após uma elevação de temperatura. A empresa assegura que os sistemas de segurança controlaram a situação, que a emergência foi contida e que não há riscos nos demais tanques. Os resíduos estão sendo armazenados para tratamento ambiental.
## Multas e Interdição
As autoridades ambientais e municipais aplicaram multas substanciais à Innova. O Ipaam multou a empresa em R$ 12,5 milhões por poluição atmosférica, enquanto a Prefeitura de Manaus impôs outras multas totalizando R$ 9,9 milhões, por poluição do ar, solo e corpo hídrico. O montante das autuações chega a R$ 22,4 milhões.
Na sexta-feira (17), o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) determinou a interdição parcial da unidade. A medida restringe o acesso ao local, permitindo apenas a entrada de equipes técnicas de contenção. A interdição permanecerá até que as condições de segurança sejam restabelecidas e os órgãos competentes autorizem a retomada das atividades.
## Atendimentos e Investigação
Dos 414 atendimentos médicos, a maioria ocorreu na rede pública e particular de saúde. Sintomas como ardência nos olhos e desconforto respiratório foram os mais comuns, com a maioria dos pacientes recebendo alta. Um homem de 67 anos, com histórico de doença respiratória crônica, morreu após dar entrada em uma unidade de saúde com queixas relacionadas ao vazamento. A Secretaria de Saúde do Estado informou que a relação direta entre a morte e o vazamento está sob investigação.
Equipes do Corpo de Bombeiros continuam no local para resfriar o tanque e conter os vapores. Uma área de aproximadamente 300 metros ao redor da fábrica permanece isolada. Drones com câmeras térmicas identificaram fissuras no tanque, indicando a continuidade do vazamento. As autoridades avaliam as condições de segurança para decidir sobre a liberação de atividades de escolas e serviços públicos no entorno.