Rio Maracanã: Fim do esgoto diário de 9 milhões de litros na Baía
Força-tarefa no Rio de Janeiro evita despejo diário de 9,36 milhões de litros de esgoto no Rio Maracanã, com eliminação de ligações clandestinas e reparo de redes antigas.

Uma operação intensiva nas margens do Rio Maracanã, no Rio de Janeiro, obteve resultados significativos na preservação ambiental. Uma força-tarefa da concessionária Águas do Rio conseguiu interromper o despejo diário de aproximadamente 9,36 milhões de litros de esgoto não tratado na Baía de Guanabara. Este volume é equivalente a mais de três piscinas olímpicas, representando um avanço considerável na luta contra a poluição hídrica da região.
## Combate a ligações irregulares e redes antigas
Os resultados foram alcançados após dois anos de trabalhos contínuos de vistorias e recuperação das redes de esgoto locais. As equipes da Águas do Rio identificaram e eliminaram 82 ligações clandestinas e realizaram 152 reparos em tubulações antigas. O objetivo central dessas ações é reduzir drasticamente a poluição do Rio Maracanã, que, apesar de nascer com águas limpas na região do Alto da Boa Vista, sofre com despejos irregulares ao longo de seu percurso até o Canal do Mangue, que, por sua vez, deságua na Baía de Guanabara.
Para a identificação precisa das irregularidades, a concessionária empregou tecnologia de ponta, utilizando câmeras para inspecionar o interior das tubulações. As imagens capturadas são cruzadas com vistorias presenciais e informações provenientes de denúncias de moradores. Este método permite localizar com precisão as conexões de esgoto que foram instaladas de forma irregular em galerias destinadas ao escoamento de águas pluviais. Além disso, as fiscalizações também abrangem a verificação de caixas de gordura que não atendem aos padrões técnicos estabelecidos.
## Monitoramento e planos futuros
Quando uma irregularidade é detectada, o proprietário do imóvel é notificado e tem um prazo de 30 dias para regularizar a situação antes que sejam aplicadas sanções. Renan Mendonça, diretor-executivo da Águas do Rio, destacou a importância da fiscalização rigorosa para a recuperação ambiental, afirmando que cada ligação irregular removida ou rede antiga consertada representa um passo crucial para a salvação da Baía de Guanabara. Ele informou que somente as ações de fiscalização de 2026 retiraram 3,96 milhões de litros de esgoto por dia do Rio Maracanã.
Complementando as ações de fiscalização, a concessionária realiza a coleta de amostras de água a cada 15 dias em cinco pontos distintos do Rio Maracanã. Este monitoramento contínuo permite avaliar a qualidade da água, identificar possíveis alterações e falhas, e orientar novas intervenções na rede de forma preventiva. O plano de esgotamento sanitário da Águas do Rio inclui investimentos significativos, como a construção de novos coletores até 2033, com um aporte previsto de R$ 2,7 bilhões. Estas estruturas visam captar o esgoto lançado nas redes de drenagem e direcioná-lo para tratamento, contribuindo para a melhora da qualidade das praias da região e a proteção ambiental da Baía de Guanabara.