Nobel de Química defende captura de carbono como urgência climática

Nobel de Química Omar Yaghi defende captura de carbono como solução realista e urgente para crise climática, argumentando que tecnologia é vital enquanto transição para renováveis avança.

Nobel de Química defende captura de carbono como urgência climática

O químico palestino-americano Omar Yaghi, vencedor do Prêmio Nobel de Química em 2025, defende a captura de carbono como a solução mais realista e urgente para combater a crise climática. Segundo Yaghi, o mundo não pode se dar ao luxo de esperar que as energias renováveis substituam completamente os combustíveis fósseis, pois a economia global ainda depende fortemente deles.

Em entrevista durante a 75ª Reunião do Prêmio Nobel de Lindau, na Alemanha, Yaghi expressou sua convicção de que a captura de carbono, embora ainda cara e de difícil implementação em larga escala, é uma necessidade imediata. Ele ressalta que, apesar de termos tido tempo para agir no passado, a inércia prevaleceu, e a realidade econômica exige uma abordagem pragmática.

O trabalho de Yaghi, que lhe rendeu o Nobel, focou no desenvolvimento de estruturas metalorgânicas (MOFs). Esses materiais porosos têm a capacidade de capturar água do ar e, crucialmente, remover dióxido de carbono da atmosfera de forma mais eficiente do que métodos anteriores. Apesar de seu custo elevado, Yaghi acredita que as MOFs representam um avanço significativo.

Críticos da captura de carbono argumentam que ela pode perpetuar a dependência de combustíveis fósseis, em vez de forçar sua eliminação. No entanto, Yaghi contrapõe que, enquanto novas tecnologias são desenvolvidas, a captura é uma ferramenta essencial. "Todos nós nos beneficiamos dessa indústria", disse, referindo-se aos combustíveis fósseis, "e construímos economias imensas com base neles. Se temos alternativas renováveis, vamos utilizá-las —mas, no meio tempo, precisamos capturar carbono".

Yaghi apresentou um cálculo que sugere que um investimento anual de cerca de R$ 2.000 por pessoa nos países do G20 seria suficiente para desenvolver MOFs em quantidade necessária para um impacto global. O químico também criticou a falta de progresso em algumas instituições acadêmicas, defendendo a demissão de profissionais que atrasam avanços científicos.

A visão de Yaghi contrasta com a abordagem predominante que foca exclusivamente em energias renováveis. Ele argumenta que a velocidade e a escala necessárias para conter a crise climática exigem uma combinação de estratégias, com a captura de carbono desempenhando um papel central e imediato. A tecnologia desenvolvida por ele oferece uma esperança tangível para mitigar os efeitos do aquecimento global, mesmo que a transição completa para fontes limpas ainda esteja distante.