MST cultiva mudas nativas para restaurar biomas e nascentes em Alagoas
MST expande projeto de plantio de 5 milhões de mudas nativas em Alagoas para recuperar nascentes e biomas, enfrentando desafios de manutenção pós-plantio.

A paisagem de Alagoas ganha um novo contorno com a iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em revitalizar ecossistemas e nascentes por meio de uma rede de viveiros. O projeto, braço alagoano do plano nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, tem como meta a implantação de 5 milhões de mudas nativas no estado em uma década. Essa meta se insere em um esforço nacional que já ultrapassou a marca de 50 milhões de árvores plantadas em todo o Brasil, com o objetivo maior de atingir 100 milhões.
Um dos focos do trabalho está no Acampamento Feliz Deserto, em Joaquim Gomes, na Zona da Mata alagoana. Lá, famílias do MST dedicam-se a um viveiro com mais de 5 mil mudas de espécies da Mata Atlântica e do Cerrado. O objetivo é reverter o quadro de degradação que afeta rios e nascentes na região.
Carlos Alexandre, coordenador estadual do plano em Alagoas, destaca a importância intergeracional da ação. "É uma tarefa muito importante para a gente hoje, enquanto movimento e enquanto seres humanos, para termos uma vida melhor para os nossos filhos e netos que vêm aí nas próximas gerações", afirma. A estratégia do projeto envolve a adaptação bioclimática, considerando as particularidades de cada ecossistema.
No semiárido, o Viveiro do Sertão, no Assentamento Maria Bonita, em Delmiro Gouveia, opera desde 2014. Com 600 metros quadrados, o local especializa-se na produção de mudas da Caatinga e em técnicas de enxertia do caju anão, buscando aliar conservação ambiental à geração de renda. Em Maceió, o Viveiro Chico Mendes foca na Mata Atlântica, com espécies como pau-brasil, ipê e craibeira, árvore símbolo de Alagoas, cumprindo um papel pedagógico e de transição ecológica.
O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA-AL) reconhece a relevância das iniciativas da agricultura familiar para a resiliência climática. O estado enfrenta séculos de pressão sobre sua vegetação, resultantes de monoculturas, desmatamento e expansão urbana. As necessidades ambientais são divididas por ecossistemas: na Zona da Mata, a recuperação de matas ciliares; no Agreste, a proteção de encostas; e no Sertão, a contenção da desertificação.
O uso de espécies nativas é crucial, pois são mais resistentes e funcionam como "esponjas naturais", auxiliando na recarga do lençol freático e garantindo a perenidade das nascentes. A restauração também restabelece corredores ecológicos e atua como sumidouro de carbono, mitigando eventos climáticos extremos.
O governo estadual, através do IMA, apoia a expansão com o projeto Alagoas Mais Verde, que já distribuiu mais de 1,6 milhão de mudas. O Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PROPSA) também incentiva financeiramente 75 agricultores familiares a conciliar produção e conservação.
No entanto, a manutenção e o acompanhamento pós-plantio representam o principal desafio para a expansão do reflorestamento em Alagoas. Fortalecer a rede de viveiros e conscientizar a sociedade sobre a importância do cuidado contínuo com as árvores são passos essenciais para o sucesso a longo prazo. O projeto visa não apenas plantar, mas garantir a sobrevivência e o desenvolvimento das novas florestas.