Máquina na Amazônia Simula Clima Futuro para Estudo de Impacto
Instalada na Amazônia, máquina com 16 torres emite CO2 para simular clima futuro e analisar impactos na floresta, crucial para entender mudanças climáticas.

Cientistas brasileiros e britânicos instalaram uma complexa estrutura no coração da Amazônia com o objetivo de simular as condições climáticas futuras e avaliar seus impactos na maior floresta tropical do mundo. A iniciativa, batizada de AmazonFace, utiliza 16 torres de alumínio, cada uma com 40 metros de altura e um diâmetro de 30 metros, dispostas em seis anéis. Essas torres emitem dióxido de carbono (CO2) diretamente na copa das árvores, recriando em escala aberta uma atmosfera que se espera para o planeta nas próximas décadas.
## Janela para o Futuro Climático
A máquina, localizada a cerca de 100 km de Manaus, no Amazonas, funciona como uma "máquina do tempo" climática. O propósito é permitir que pesquisadores entendam como as mudanças climáticas projetadas para daqui a 30 a 50 anos afetarão o funcionamento da Floresta Amazônica. "Essa é uma janela para o futuro. Eu, como cientista, consigo olhar para o que está acontecendo hoje e entender o que vai acontecer no futuro, quando a concentração de CO2 atmosférico for maior", explica Isabela Aleixo, engenheira florestal e coordenadora científica do projeto. A estrutura permite medir uma vasta gama de processos biológicos, desde a fotossíntese até a produção de raízes finas abaixo do solo, fornecendo dados cruciais para modelos computacionais.
## Impacto e Prevenção
Os dados coletados são enviados para computadores que simulam os efeitos da mudança climática em áreas maiores e ao longo de muitos anos. Uma das principais preocupações dos cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é que o aumento da concentração de CO2 possa alterar o ciclo hídrico da floresta. A pesquisa busca entender se a maior presença de gás carbônico pode reduzir a quantidade de vapor d'água liberada pelas árvores na atmosfera. Essa umidade é fundamental para a formação de chuvas que alimentam rios e a agricultura em diversas regiões da América do Sul, incluindo o Sul do Brasil. "De 30% a 50% das chuvas que acontecem no Sul do país vêm daqui, são produzidas por essas árvores", ressalta Carlos Alberto Quesada, coordenador científico do AmazonFace/INPA. A compreensão desses processos é vista como essencial para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes de adaptação e mitigação frente às mudanças climáticas globais.