Manaus: Fábrica com vazamento tóxico é interditada após multas milionárias
Fábrica em Manaus com vazamento de gás tóxico é parcialmente interditada pela prefeitura. Multas milionárias foram aplicadas à Innova, e a substância monômero de estireno é descrita como perigosa.

A unidade industrial da empresa Innova, localizada no Distrito Industrial de Manaus, foi parcialmente interditada pela Prefeitura Municipal nesta sexta-feira (17). A decisão foi tomada com base em um laudo técnico da Defesa Civil Municipal, que apontou a necessidade de restringir o acesso ao local para garantir a segurança da população e prevenir novos incidentes.
A interdição visa conter os riscos associados à continuidade das ações de resposta ao vazamento de monômero de estireno, substância química tóxica que causou forte odor e levou à evacuação de um shopping nas proximidades. O vazamento ocorreu na quarta-feira (15), às 17h36, na Unidade IV da fábrica.
## Ações de Resposta e Atendimento Médico
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) têm trabalhado incessantemente no resfriamento do tanque para controlar a temperatura e mitigar os riscos. A principal hipótese para o incidente é uma reação espontânea dentro da estrutura. Até a tarde de sexta-feira, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) registrou 211 atendimentos relacionados ao vazamento. A maioria dos pacientes recebeu alta, um permanece em UTI, e um homem de 67 anos faleceu após procurar atendimento, embora a pasta de saúde não tenha constatado relação direta com o vazamento, citando histórico de doença respiratória crônica do paciente.
A empresa Innova emitiu nota informando que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos de emergência, com resíduos armazenados para tratamento adequado. A companhia assegurou que não houve incêndio, vazamento líquido para fora da área de contenção, nem registro de vítimas diretas do incidente, e que não há risco de desabastecimento para clientes.
## Multas e Análise da Substância
A Prefeitura de Manaus aplicou multas à Innova que totalizam R$ 9.901.600. Na quinta-feira (16), a empresa foi autuada em R$ 4.554.300 por poluição do ar. Nesta sexta-feira (17), uma nova multa de R$ 5.347.300 foi aplicada por poluição do solo e de corpo hídrico. As multas foram baseadas em inspeções de uma força-tarefa que utilizou drones com câmeras térmicas, identificando fissuras no tanque e a continuidade do vazamento.
O monômero de estireno, segundo Karime Bentes, chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), é um produto químico tóxico utilizado na fabricação de plásticos e borrachas. Em certas condições, pode formar compostos nocivos que se espalham pelo ar. A exposição por inalação pode causar irritação, dores de cabeça, tontura e náuseas. Originalmente líquido, o estireno evapora rapidamente, e, como gás, é mais pesado que o oxigênio, permitindo que se dissemine por grandes distâncias.