Indígenas brasileiros reagem à exclusão do couro em lei da UE contra desmatamento
Indígenas brasileiros criticam a União Europeia por excluir o couro da lei antidesmatamento, alegando que a medida enfraquece o combate à exploração insustentável e a perda de biomas.

## Críticas de Povos Indígenas à Legislação Europeia
Povoamentos indígenas brasileiros manifestaram descontentamento com a recente revisão do regulamento da União Europeia (UE) contra o desmatamento. A principal queixa reside na exclusão do couro da lista de produtos sujeitos à obrigatoriedade de rastreabilidade e comprovação de origem livre de desmatamento. A Comissão Europeia confirmou a alteração, que isenta o couro de seguir as mesmas exigências aplicadas a outros produtos de origem animal e vegetal.
## Desdobramentos e Repercussões da Decisão da UE
A decisão europeia levanta preocupações sobre a eficácia da lei em combater o desmatamento associado à pecuária, uma das principais causas da destruição de biomas brasileiros, como a Amazônia e o Cerrado. Povos originários, guardiões de vastas áreas de floresta e defensores da biodiversidade, veem a medida como um retrocesso nas políticas ambientais globais e um incentivo indireto a práticas insustentáveis. A falta de rastreabilidade para o couro pode dificultar a fiscalização e a responsabilização de cadeias produtivas ligadas à derrubada de vegetação nativa.
## O Papel da Cadeia Produtiva do Couro
O setor do couro, que abrange desde a criação de gado até a fabricação de calçados, vestuário e acessórios, possui um impacto ambiental significativo. A expansão das áreas de pastagem frequentemente resulta na conversão de florestas em terras agrícolas, contribuindo para a perda de habitats e a emissão de gases de efeito estufa. A exclusão do couro do regulamento da UE abre uma brecha que pode ser explorada por produtores que não aderem a práticas sustentáveis, minando os esforços de conservação e os direitos dos povos indígenas, cujos territórios são diretamente afetados pelo avanço do desmatamento.