Esgoto no Araguaia: Goiás e MT investigam despejo em rio na divisa
Autoridades de Goiás e Mato Grosso investigam denúncias de despejo de esgoto no Rio Araguaia. Empresa responsável contesta contaminação, alegando cumprimento de normas.

Autoridades de Goiás e Mato Grosso intensificaram a apuração de denúncias sobre o despejo de esgoto no Rio Araguaia, na região de divisa entre os estados. A prática, que ocorre no lado mato-grossense, na cidade de Barra do Garças, tem como responsável a concessionária de saneamento local, Águas de Barra do Garças.
## Investigação em Dois Estados
A mobilização começou após um vereador de Barra do Garças, Zé Gota (MDB), gravar e divulgar vídeos que supostamente mostram o lançamento de efluentes diretamente no Araguaia. Em Mato Grosso, deputados estaduais, como Eduardo Botelho (MDB), apresentaram requerimentos solicitando informações detalhadas à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e ao Ministério Público Federal (MPF) sobre o caso.
Do lado goiano, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad-GO) realizou um laudo técnico preliminar que indicou a contaminação da água. A pasta informou que os dados apontam para a contaminação decorrente dos lançamentos. A Semad-GO também tem conduzido uma campanha de balneabilidade durante a temporada de férias para avaliar a condição da água para uso recreativo, ressaltando que os estudos atuais não determinam se a água é potável.
## Empresa Contesta Acusações
A concessionária Águas de Barra do Garças defende que as práticas de lançamento de esgoto seguem os parâmetros legais. Segundo a empresa, coletas realizadas em junho, com a participação de representantes da Câmara Municipal, da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Agirf) e de secretarias de meio ambiente, apontaram que os despejos estavam dentro dos limites estabelecidos pela outorga e pela resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
A empresa apresentou análises de quatro amostras representativas, que incluíram esgoto bruto, efluente tratado e água do rio antes e depois do ponto de lançamento. De acordo com a Águas de Barra do Garças, indicadores como Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), óleos e graxas e sólidos sedimentáveis apresentaram resultados inferiores aos limites permitidos. A comparação entre as amostras antes e depois da estação de tratamento de efluentes (ETE) também teria demonstrado que o lançamento não compromete a qualidade do manancial nem altera a classificação do corpo hídrico.