Desmatamento na Amazônia atinge menor nível em 10 anos
Alerta de desmatamento na Amazônia cai para menor nível em 10 anos no 1º semestre de 2026. Redução de 38% é vista, mas El Niño aumenta risco de incêndios e desmate no 2º semestre.

Os alertas de desmatamento na Floresta Amazônica registraram o menor índice para o primeiro semestre em uma década. Entre janeiro e junho de 2026, foram perdidos 1.295 km² de vegetação nativa, conforme dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este é o menor patamar desde o início da série histórica do levantamento.
No Cerrado, a área sob alerta de desmatamento nos primeiros seis meses do ano foi de 3.142 km², o menor valor desde 2021. Houve uma redução de 6% em comparação com o mesmo período de 2025, enquanto na Amazônia a queda foi ainda mais expressiva, atingindo 38%.
## Políticas e Fiscalização em Foco
Os dados, divulgados nesta sexta-feira (10.jul.2026), são cruciais para o trabalho de fiscalização e controle do desmatamento e da degradação florestal, realizado por órgãos como o Ibama. A tendência de diminuição da destruição da vegetação nativa nos últimos anos é atribuída à retomada de políticas governamentais, incluindo planos de controle do desflorestamento, reforço dos órgãos de fiscalização e a aplicação de restrições financeiras a desmatadores.
Apesar da melhora, os índices ainda são preocupantes. Segundo o Global Forest Watch, o Brasil registrou a segunda maior perda relativa de cobertura arbórea do mundo entre 2001 e 2025, com 76 milhões de hectares suprimidos. Isso representa 15% de redução desde 2000 e equivale a 14% de toda a perda global de cobertura florestal.
## Desafios Sazonais e o El Niño
Tradicionalmente, o início do ano apresenta taxas mais baixas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado devido à estação chuvosa, que dificulta a derrubada de árvores e pode interferir na obtenção de imagens de satélite. O pico de desflorestamento costuma ocorrer entre maio e setembro, com a diminuição das chuvas. Por essa dinâmica sazonal, o Inpe considera um período de 12 meses, de agosto a julho, para monitoramento.
A chegada do fenômeno El Niño neste segundo semestre acende um alerta para a possibilidade de secas intensas. Essa condição climática pode impulsionar o aumento tanto do desmatamento quanto dos incêndios florestais, colocando à prova a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, aprovada em 2024. O El Niño tende a causar estiagem nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, criando um cenário propício para o alastramento de chamas, muitas vezes iniciadas por ação humana.