Antidepressivo é detectado no cérebro de tubarões no Rio de Janeiro
Antidepressivo (sertralina) é encontrado no cérebro de tubarões-martelo criticamente ameaçados no Rio de Janeiro, indicando contaminação ambiental.

Um estudo inédito realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou a presença de sertralina, um princípio ativo comum em antidepressivos, no tecido cerebral de tubarões-martelo capturados no litoral do Rio de Janeiro. As espécies identificadas foram o tubarão-martelo-recortado (Sphyrna lewini) e o tubarão-martelo (Sphyrna zygaena), ambas classificadas como criticamente ameaçadas de extinção.
## Contaminação na Cadeia Alimentar
Os animais foram coletados acidentalmente em redes de pesca nas praias do Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Copacabana. A colaboração com pescadores locais foi fundamental para o encaminhamento das amostras aos cientistas. Esta descoberta reforça a preocupação com a disseminação de resíduos farmacêuticos nos oceanos e seu impacto em espécies que se encontram no topo da cadeia alimentar marinha.
A pesquisa faz parte do Projeto EcoShark, iniciado em 2018, que tem como objetivo monitorar a saúde dos tubarões na costa fluminense e investigar a presença de contaminantes emergentes, como compostos farmacêuticos, em elasmobrânquios. A identificação da sertralina em animais de topo de cadeia levanta questões sobre os efeitos a longo prazo dessas substâncias no ecossistema marinho.
## Trajeto dos Medicamentos até o Mar
O processo que leva medicamentos como a sertralina aos oceanos inicia-se com o consumo humano. Após a ingestão, o corpo metaboliza o fármaco, e parte dele é excretada pela urina, que é direcionada para os sistemas de esgoto. Os sistemas convencionais de tratamento de água, no entanto, não são projetados para remover completamente moléculas farmacêuticas. Consequentemente, uma parcela desses resíduos contamina rios e, eventualmente, chega ao mar.
A presença desses compostos em animais marinhos, especialmente em espécies ameaçadas como os tubarões-martelo, é um indicativo da ampla contaminação ambiental e da necessidade de abordagens mais eficazes para o tratamento de esgoto e a gestão de resíduos farmacêuticos. A UFRJ continua a investigar os impactos dessas substâncias na vida marinha e no equilíbrio ecológico costeiro.