Agrotóxicos no Rio Tietê: Estudo Alerta para Riscos à Saúde e Meio Ambiente

Estudo da SOS Mata Atlântica detecta 25 tipos de agrotóxicos, incluindo atrazina com potencial cancerígeno, em 14 pontos do rio Tietê, em São Paulo, alertando para riscos ambientais e de saúde.

Agrotóxicos no Rio Tietê: Estudo Alerta para Riscos à Saúde e Meio Ambiente

Um estudo recente da Fundação SOS Mata Atlântica, em colaboração com universidades e o Instituto Itaúsa, revelou a presença de 25 tipos diferentes de agrotóxicos em amostras de água coletadas em 14 pontos do rio Tietê, em São Paulo. A pesquisa, conduzida pelo Laboratório de Ecotoxicologia do CENA/USP, identificou herbicidas, fungicidas e inseticidas amplamente utilizados em culturas agrícolas predominantes na bacia do rio, como cana-de-açúcar, soja e citros.

O levantamento aponta que, após a aplicação nas lavouras, parte desses agrotóxicos é carregada pela chuva ou infiltra-se no solo, atingindo corpos d'água. Entre as substâncias detectadas está a atrazina, um herbicida proibido na União Europeia desde 2004 devido aos riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a atrazina como uma substância com potencial cancerígeno.

Em alguns trechos analisados do rio Tietê, a concentração de atrazina chegou a ultrapassar os limites estabelecidos pela Resolução Conama nº 357/2005, que define os padrões de qualidade da água em rios brasileiros. A descoberta levanta sérias preocupações sobre a qualidade da água e os impactos ambientais e sanitários decorrentes do uso intensivo de pesticidas na região.