Temer defende escritório de esposa de Moraes em caso Banco Master

Michel Temer comenta caso Banco Master, descreve Daniel Vorcaro como 'doce' mas que 'exagerou'. Defende contrato milionário do escritório da esposa de Alexandre de Moraes.

Temer defende escritório de esposa de Moraes em caso Banco Master

O ex-presidente Michel Temer (MDB) comentou o caso envolvendo o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso preventivamente sob suspeita de um rombo de mais de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em entrevista ao programa Frente a Frente do Uol, Temer descreveu Vorcaro como uma figura "muito doce" e "suave", mas ressaltou que "ele exagerou", o que levou às consequências atuais.

Temer revelou que seu escritório foi contratado para tentar realizar uma "liquidação privada" do banco como alternativa à intervenção do Banco Central, mas não obteve sucesso e se afastou do caso. Ele não detalhou o valor do contrato, apenas que "só uma parte" foi paga.

As investigações da Polícia Federal (PF) apontam para uma fraude sistemática, emissão de títulos fictícios e desvios de recursos que teriam causado o rombo bilionário no FGC.

## Defesa de honorários e contrato

O ex-presidente também comentou a contratação do escritório da família do ministro do STF, Alexandre de Moraes, pelo Banco Master. O caso, noticiado pelo Estadão, envolve um contrato de R$ 129 milhões em honorários para serviços jurídicos que visavam defender os interesses da instituição perante o Banco Central, a Receita Federal e o Congresso Nacional. A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, teria encaminhado a minuta do contrato diretamente a Vorcaro.

Temer destacou que a contratação ocorreu "praticamente um ano antes" do escândalo vir à tona e defendeu o direito de cada escritório de cobrar pelos seus serviços. "Não era apenas uma consultoria jurídica, eles davam uma consultoria muito mais ampla, até de natureza administrativa, de natureza institucional", argumentou, ponderando que, embora o valor possa parecer alto, "é o preço do escritório".

Temer lembrou que, no Brasil, uma acusação pode levar a uma pré-condenação, mesmo sem condenação formal. "Formalmente não está condenado, mas objetivamente está pré-condenado", afirmou, em referência às etapas de investigação e denúncia.

Alexandre de Moraes foi Ministro da Justiça e Segurança Pública durante o governo Temer e foi indicado pelo ex-presidente para o STF em 2017.