STF é criticado por não investigar ministros envolvidos em caso Master

Jornalista critica STF por não investigar ministros no caso Master. Defende que corte adote realismo político e se submeta a investigações para recuperar credibilidade.

STF é criticado por não investigar ministros envolvidos em caso Master

O Supremo Tribunal Federal (STF) está sendo alvo de críticas pela forma como tem lidado com a crise de credibilidade, especialmente em relação ao escândalo envolvendo o Banco Master. O jornalista Hélio Schwartsman argumenta que a corte deveria seguir os preceitos de Nicolau Maquiavel, separando a política da moral para analisar as relações de poder de maneira realista e, assim, recuperar a imagem do Judiciário.

Schwartsman aponta que, enquanto as investigações da Polícia Federal avançam sobre diversas figuras políticas, incluindo senadores e governadores, o STF parece relutar em submeter seus próprios ministros a escrutínio. Relatórios da PF mencionam nomes como Ciro Nogueira, Jaques Wagner, Claudio Castro, Flávio Bolsonaro, Hugo Motta, Michel Temer, Guido Mantega e ACM Neto, com a possibilidade de investigações autorizadas pelo ministro relator André Mendonça. No entanto, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, apesar de também figurarem em relatórios da PF, tiveram suas posições previamente exculpadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O jornalista critica a decisão do STF de conceder um habeas corpus preventivo amplo, que, segundo ele, apenas alimentou as dúvidas sobre a atuação da corte. Ele sugere que, para de fato superar a crise de credibilidade, o Judiciário deveria ter permitido a investigação dos próprios ministros, mesmo que para posteriormente inocentá-los. Schwartsman acredita que os ministros do STF cultivam uma autoimagem que os impede de aceitar a possibilidade de serem investigados, o que seria o caminho mais eficaz para a recuperação da confiança pública.

A análise de Schwartsman baseia-se na obra de Maquiavel, que desvinculou a política da moralidade estrita, permitindo uma abordagem mais pragmática do poder. O jornalista ressalta que adotar o prisma do realismo político não implica em amoralidade, mas sim em uma compreensão mais acurada do mundo, evitando a armadilha de raciocínios puramente moralistas ou de militância que distorcem a realidade.

O caso Master e a subsequente reação do STF reacendem o debate sobre a necessidade de transparência e responsabilização no mais alto escalão do Judiciário brasileiro. A percepção pública sobre a imparcialidade e a integridade das instituições é fundamental para a estabilidade democrática, e ações que pareçam blindar membros da corte de investigações podem ter o efeito oposto ao desejado, aprofundando a desconfiança.

A charge de João Montanaro, publicada na Folha de S.Paulo, ilustra a crítica ao retratar ministros do STF trocando mensagens pelo celular durante uma reunião, sugerindo uma desconexão com os assuntos sérios em pauta ou uma comunicação paralela que levanta questionamentos.

A recomendação de Schwartsman é clara: para que o STF consiga restaurar sua imagem abalada, é preciso que seus membros demonstrem disposição para serem investigados e que a corte adote uma postura mais alinhada ao realismo político, sem receios de questionamentos, mesmo que isso signifique lidar com situações desconfortáveis internamente.