Ramagem afirma que extradição para o Brasil "não acontecerá"

Ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, afirma que extradição para o Brasil "não acontecerá" e que aguarda análise de asilo nos EUA, acusando autoridades brasileiras de tentativa de deportação clandestina.

Ramagem afirma que extradição para o Brasil "não acontecerá"

Alexandre Ramagem, deputado federal cassado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), declarou à CNN que sua extradição para o Brasil é improvável, definindo 2026 como um "ano de virada" e afirmando estar "em segurança, lutando pelo nosso Brasil aqui nos Estados Unidos". A declaração foi feita em Nova Jersey, nos Estados Unidos, minutos antes do início de uma partida de futebol.

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de prisão em regime fechado, no âmbito do processo que investiga a trama golpista, pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ele nega veementemente todas as acusações.

Apesar de proibido pelo STF de deixar o território brasileiro, Ramagem teria fugido do país pela fronteira de Roraima com a Guiana após a condenação, ingressando nos Estados Unidos com passaporte diplomático, de acordo com investigações da Polícia Federal. Por essa razão, ele é considerado foragido pela Justiça brasileira.

Em relação à sua situação legal nos EUA, Ramagem explicou que seu pedido de asilo está em análise paralela ao processo de extradição movido pelo governo brasileiro. "Como eles sabem que a extradição não vai acontecer, porque sabem que é uma farsa, eles tentaram me deportar clandestinamente", acusou, referindo-se às autoridades brasileiras.

O ex-diretor da Abin reiterou sua negativa quanto à existência da trama golpista, classificando o processo como uma perseguição política. "Inventaram essa farsa do golpe, inventaram crimes contra nós todos para acabar com o segmento político de direita e encarcerar o Jair Messias Bolsonaro", declarou, referindo-se ao ex-presidente, que foi condenado a mais de 27 anos de prisão e está detido desde novembro do ano passado.

Sobre a possibilidade de retorno ao Brasil, Ramagem associou seus planos à eleição presidencial, expressando esperança de que, com a candidatura de Flávio Bolsonaro, ele possa retornar ao país em 2027.

Ramagem foi detido em abril pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos) em Orlando, Flórida, após uma infração de trânsito. A prisão ocorreu devido à permanência irregular no país, com visto vencido desde março. Ele foi liberado dois dias depois, sem fiança, e aguarda a decisão sobre seu pedido de asilo, fundamentado em alegada perseguição política. Adicionalmente, Ramagem teve seu mandato de deputado federal cassado por faltas consecutivas.