Promotora se ofende com oração e declara inconstitucionalidade em evento
Promotora no RJ declara oração em evento civil inconstitucional e se diz 'ofendida', gerando debate sobre laicidade e liberdade religiosa.

Um evento voltado para conselheiros tutelares no Rio de Janeiro teve sua abertura marcada por uma polêmica inesperada. A promotora de Justiça Elayne Rodrigues, durante o XCI Fórum Permanente de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Rio de Janeiro, realizado em Duque de Caxias, expressou indignação após uma breve oração proferida antes do início oficial dos trabalhos. A promotora declarou-se "extremamente ofendida" pela menção a Deus e classificou a iniciativa como "inconstitucional", ameaçando deixar o local caso a situação se repetisse.
O fórum, organizado pela Associação dos Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Rio de Janeiro (ACTERJ) em parceria com Conselhos Tutelares locais, não era um evento estatal, mas sim promovido por uma associação civil. Apesar disso, a promotora argumentou que a oração violava o princípio da laicidade do Estado e que sua liberdade religiosa individual não deveria ser imposta aos demais. A programação do evento, que previa três dias de debates sobre infância e adolescência, foi ofuscada pela reação da promotora.
A declaração da promotora gerou controvérsia e debate entre os presentes e nas redes sociais. Juristas e comentaristas questionaram a interpretação da promotora, destacando que, embora o Brasil seja um Estado laico, a Constituição também assegura a liberdade religiosa e o livre exercício de manifestações de fé. A neutralidade do Estado, segundo esses pontos de vista, não implicaria a exclusão de referências religiosas em eventos organizados por entidades privadas.
Este não é o primeiro episódio envolvendo a promotora Elayne Rodrigues em discussões sobre educação e diversidade. Anteriormente, ela havia recomendado o cumprimento do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena em municípios da Baixada Fluminense, defendendo que a medida poderia contribuir para a redução do bullying e da discriminação nas escolas. No entanto, a reação ao episódio da oração reacendeu discussões sobre os limites da laicidade estatal e a garantia da liberdade de expressão religiosa em diferentes contextos sociais e institucionais no Brasil.