Presidente do Rio Metrópole preso por desvio de R$ 86 milhões

Presidente do Instituto Rio Metrópole e outras cinco pessoas são presas em operação contra desvio de R$ 86 milhões dos cofres estaduais. Esquema envolvia contratos públicos e ONG.

Presidente do Rio Metrópole preso por desvio de R$ 86 milhões

Uma operação deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta quinta-feira (9) resultou na prisão de seis pessoas e na denúncia de outras cinco, incluindo o presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, conhecido como "Didê". O grupo é acusado de um esquema de corrupção que teria desviado R$ 86,28 milhões dos cofres estaduais.

As investigações apontam que o desvio de verbas ocorria por meio de "contratos milionários" firmados pelo IRM, autarquia estadual responsável por projetos de mobilidade, saneamento, meio ambiente, tecnologia e habitação. Entre julho de 2022 e maio de 2026, recursos públicos teriam sido direcionados a duas empresas contratadas, a Engeconsult Consultores Técnicos LTDA e a R. Peotta Engenharia e Consultoria LTDA, que, por sua vez, repassavam os valores a uma Organização Não Governamental (ONG), o Instituto Bio, por meio de contratos simulados.

De acordo com o MPRJ, o dinheiro era transferido para a conta pessoal da presidente da ONG, Caroline Soares Barros, que também era fiscal de contratos do IRM. Posteriormente, os valores eram sacados em espécie e transportados com o auxílio de uma empresa privada de escolta armada, controlada por um dos denunciados, com o objetivo de dificultar o rastreamento. A investigação teve início em janeiro deste ano, após Caroline ser flagrada transportando R$ 500 mil em espécie.

Entre os denunciados estão figuras chave como Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e membro da Comissão Técnica de Licitação, apontado como articulador do direcionamento das licitações. Seu pai é o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ), que se manifestou surpreso com a operação e negou responsabilidade. Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil, é acusado de controlar o grupo de escolta armada. Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado que atuava na Procuradoria-Geral do IRM, é suspeito de emitir pareceres que deram cobertura jurídica às contratações irregulares.

O MPRJ solicitou à Justiça o bloqueio e sequestro de bens dos denunciados e empresas envolvidas, até o limite de R$ 86,3 milhões, além de R$ 200 milhões por danos morais coletivos. A Justiça já determinou o afastamento dos denunciados de seus cargos públicos. A operação contou com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Corregedoria da Polícia Civil. O governo do Rio de Janeiro afirmou que a ação é um trabalho conjunto entre órgãos do Estado e que uma auditoria interna já estava em andamento.