Político chinês é condenado à morte por propina de R$ 1,6 bilhão

Ex-funcionário público chinês é condenado à morte por receber R$ 1,6 bilhão em propina ao longo de 30 anos. Ele também foi culpado de outros crimes de corrupção.

Político chinês é condenado à morte por propina de R$ 1,6 bilhão

Um tribunal chinês sentenciou Yang Youlin, ex-executivo adjunto do comitê administrativo da Zona de Desenvolvimento de Nanjing, à pena de morte por corrupção. A condenação, divulgada pela agência estatal Xinhua e confirmada por veículos internacionais, aponta que Yang recebeu mais de 2,21 bilhões de yuans, o equivalente a aproximadamente R$ 1,6 bilhão, em dinheiro e bens entre 1993 e 2023.

Segundo o Tribunal Popular Intermediário de Changzhou, os pagamentos ilícitos foram feitos em troca de auxílio para a aprovação de projetos, facilitação de operações comerciais, concessão de terras e obtenção de financiamentos. Além da propina, Yang Youlin foi considerado culpado de outros crimes, incluindo desvio de recursos, oferta de suborno, apropriação indébita de fundos públicos, abuso de poder e lavagem de dinheiro.

A sentença, proferida na última segunda-feira (6.jul.2026), prevê o confisco de todos os bens do condenado e a perda perpétua de seus direitos políticos. As autoridades chinesas classificaram o volume de propina como "extraordinariamente grande" e destacaram o forte impacto social causado pelos atos, que resultaram em perdas "excepcionalmente pesadas" aos interesses do Estado e da população.

Yang Youlin admitiu os crimes e expressou remorso durante o julgamento, colaborando com a justiça ao relatar crimes de pessoas associadas. No entanto, a gravidade dos atos e o montante envolvido impediram a aplicação de uma pena mais branda. O processo incluiu audiências públicas em março e abril, com a apresentação de versões e contestação de provas pela acusação, defesa e pelo próprio réu.

A investigação e condenação ocorreram no contexto da ampla campanha anticorrupção promovida pelo presidente Xi Jinping. Críticos apontam que essa ofensiva também pode ser utilizada como ferramenta para enfraquecer rivais políticos. Embora incomum, a pena de morte para crimes de colarinho branco tem sido aplicada na China em casos de grande vulto financeiro. Recentemente, outros casos notórios incluem Li Jianping, executado em 2024 por crimes que envolveram 3 bilhões de yuans, e Zhang Zhongsheng, condenado à morte em 2018 por receber mais de 1 bilhão de yuans em subornos, pena posteriormente convertida para prisão perpétua.