MPF pede punição de ministro do STJ por importunação sexual
MPF recomenda responsabilização de ministro do STJ, Marco Buzzi, em sindicância que apura duas denúncias de importunação sexual. Julgamento no STJ é esperado para agosto.

O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido formal para a responsabilização do ministro Marco Buzzi. A recomendação surge no contexto de uma sindicância que apura duas denúncias de importunação sexual contra o magistrado. O documento, enviado na última sexta-feira (3), é assinado pelo subprocurador-geral da República, José Adônis de Araújo.
As acusações contra Buzzi vieram à tona em fevereiro. Uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro, relatou ter sido vítima de importunação sexual. Segundo o relato, o magistrado a teria tocado indevidamente no mar e tentado forçar contato físico. Poucos dias depois, uma funcionária do gabinete de Buzzi no STJ também apresentou denúncia, alegando ter sofrido assédio sexual e violência ao longo de dois anos.
Para embasar a investigação, foram realizadas diversas diligências. Imagens de câmeras de segurança da Praia do Estaleiro, em Santa Catarina, local onde teria ocorrido o primeiro incidente, foram solicitadas. Uma reprodução simulada dos fatos também foi realizada no gabinete do ministro, onde a segunda denunciante teria sofrido o assédio. O próprio Buzzi foi interrogado, e testemunhas foram ouvidas no processo.
A expectativa é que o julgamento no plenário do STJ ocorra em agosto, após o período de recesso judicial. Paralelamente, Marco Buzzi também é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF). Em abril, o ministro Kassio Nunes Marques determinou a abertura de dois inquéritos criminais para apurar a conduta do magistrado, mas o caso no STF ainda não avançou significativamente. A avaliação interna é que o STF aguardará o desfecho no STJ antes de prosseguir com as diligências.
Internamente, a tendência é que o STJ acate a manifestação do MPF. Essa expectativa se baseia em uma jurisprudência consolidada que confere grande peso aos depoimentos de vítimas de violência sexual em processos judiciais. A defesa de Marco Buzzi foi contatada pela reportagem, mas não se manifestou até a publicação desta matéria. Os advogados do ministro alegaram inocência em relação às duas acusações nos autos do processo. O espaço para resposta permanece aberto.