Ministro do STJ usa disfunção erétil para se defender de assédio
Defesa de ministro do STJ usa laudos de disfunção erétil e limitações físicas para contestar acusações de assédio sexual em PAD.

A defesa do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tem utilizado laudos médicos que apontam disfunção erétil moderada e limitações físicas como argumentos centrais para tentar afastar as acusações de importunação e assédio sexual que ele enfrenta em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Buzzi é investigado desde abril, após denúncias de duas mulheres. Uma delas, uma jovem de 18 anos, filha de amigos da família, alega ter sido assediada em um banho de mar em Balneário Camboriú (SC), em janeiro deste ano. Segundo a denunciante, o ministro a teria levado para uma área mais afastada e pressionado o corpo contra o dela.
A defesa de Buzzi rebate a acusação argumentando que as condições da praia, descrita como de mar agitado e "tombo", seriam incompatíveis com as limitações físicas do ministro, que utiliza bengala e tem histórico de quedas. Um laudo urológico que aponta disfunção erétil moderada também foi apresentado.
No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) contestou esses argumentos. Em manifestação nos autos, o órgão ressaltou que o laudo urológico não oferece elementos que excluam a possibilidade de assédio. O próprio médico que emitiu o relatório, ouvido como testemunha, afirmou que os problemas de mobilidade do ministro não o impedem de se locomover nem tornam inviável a conduta narrada pela denunciante. O MPF também considerou "pouco plausível" a sugestão do ministro de que a jovem teria "interpretado mal" o incidente, dada a firmeza e coerência de seus depoimentos.
As acusações da ex-colaboradora terceirizada do gabinete de Buzzi, que relata toques não consentidos e comentários de teor sexual entre 2023 e 2025, também são negadas pela defesa. Argumenta-se que a disposição física da sala e a circulação de outras pessoas no local tornariam os episódios incompatíveis, e que a denúncia poderia ser motivada por receio de demissão.
O Ministério Público, contudo, rejeitou os argumentos defensivos em ambos os casos, concluindo haver elementos suficientes para caracterizar infrações funcionais. Em seu parecer, o órgão solicitou a procedência das imputações e a aplicação da pena de aposentadoria compulsória ao ministro.
A defesa de Marco Buzzi foi contatada pela CNN para comentar o caso e aguarda resposta.