Médica propõe acordo milionário após atropelar e matar verdureiro

Ministério Público de MT propõe acordo de R$ 500 mil à médica acusada de atropelar e matar verdureiro em Cuiabá em 2018. Proposta inclui indenização e prestação de serviços.

Médica propõe acordo milionário após atropelar e matar verdureiro

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apresentou uma proposta de acordo à médica Letícia Bortolini, ré no processo pelo atropelamento que resultou na morte do verdureiro Francisco Lúcio Maia, de 48 anos, em 2018, na capital Cuiabá. A oferta surge após a reclassificação do caso para homicídio culposo, indicando a ausência de intenção de matar.

Formalizada na última sexta-feira (3) pelo promotor de Justiça Kledson Dionysio de Oliveira, a proposta foi encaminhada ao juiz Moacir Rogério Tortato, que deu um prazo de cinco dias para a defesa da médica se manifestar. Caso o acordo não seja aceito, o processo seguirá para a fase de sentença.

## Detalhes do Acordo Proposto

As condições apresentadas para o acordo são significativas. A médica deverá admitir formalmente a prática do crime e, em contrapartida, cumprir uma série de medidas. A principal delas é o pagamento de uma indenização total de R$ 500 mil. Desse montante, R$ 300 mil serão destinados à ex-companheira da vítima, Francisco Lúcio Maia, e os R$ 200 mil restantes serão direcionados a uma instituição social.

Além da reparação financeira, o acordo prevê outras obrigações para Letícia Bortolini. Ela terá que prestar serviços à comunidade, comparecer mensalmente à Justiça para comprovar suas atividades e terá o seu direito de dirigir suspenso por um período de um ano. Essas medidas visam, em tese, reparar o dano social causado pelo ocorrido.

## O Caso e a Reclassificação

O atropelamento fatal ocorreu em 2018, em Cuiabá, e chocou a comunidade local. Francisco Lúcio Maia era conhecido por sua profissão de verdureiro e sua morte gerou grande comoção. A investigação e o processo judicial subsequente levaram à acusação inicial, que foi posteriormente reclassificada para homicídio culposo. Essa mudança de enquadramento legal é crucial para a possibilidade de um acordo, pois difere significativamente de um homicídio doloso, onde há intenção de matar.

A decisão de oferecer um acordo, agora sob a ótica do homicídio culposo, reflete um caminho alternativo ao julgamento tradicional. O objetivo é buscar uma resolução para o caso, que já se arrasta desde 2018, com a devida reparação à família da vítima e à sociedade, sem a necessidade de um veredito judicial sobre culpa ou inocência em um julgamento completo.