Mãe de Henry Borel defende inocência em depoimento chocante

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, foi condenada por tortura por omissão após a morte do filho. Em depoimento, ela se defendeu e afastou a intenção de matar, mas o júri desclassificou a acusação principal. Dr. Jairinho, ex-vereador, foi condenado a mais de 43 anos.

Mãe de Henry Borel defende inocência em depoimento chocante

Em um depoimento que marcou o julgamento mais longo da história do Rio de Janeiro, Monique Medeiros da Costa e Silva apresentou sua versão sobre a morte de seu filho, Henry Borel, de 4 anos. Presa por mais de dois anos, ela resumiu sua defesa com a frase "Uma mãe não mata o seu filho", buscando afastar a acusação de intenção de matar. O júri, em 4 de junho, desclassificou a acusação contra ela para homicídio culposo, condenando-a apenas por tortura por omissão a uma pena de 1 ano e 4 meses, que já foi cumprida durante a prisão preventiva. A juíza concedeu o perdão judicial.

## A Versão de Monique e a Madrugada da Morte

Monique relatou aos jurados os momentos da madrugada de 8 de março de 2021, quando Henry morreu em seu apartamento na Barra da Tijuca. Segundo seu relato, ela teria tomado um remédio para dormir e, ao acordar, encontrou o filho descoberto e com os pés gelados. Ela afirmou que o então companheiro, o ex-vereador Dr. Jairinho, sugeriu que o menino poderia ter engolido algo, mas ela contestou. No hospital, a versão inicial passada aos médicos, atribuída por Monique a Jairinho, foi de que o casal teria "escutado um barulho" e encontrado Henry caído da cama. Contudo, ela declarou ao júri não ter ouvido qualquer barulho naquela noite.

## Luto, Ruptura e Condenação

O depoimento de Monique também abordou o intenso luto nos dias seguintes à morte de Henry, com mensagens trocadas com o pai do menino sendo lidas em plenário para demonstrar seu sofrimento. Ela descreveu um colapso físico, arrancando cabelos e roendo unhas até sangrar. A ruptura com Dr. Jairinho, segundo Monique, ocorreu na prisão, após ela ter conhecimento do depoimento de uma ex-namorada do ex-vereador que contradizia a versão dele sobre a madrugada da morte. Dr. Jairinho foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelo homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo. Recursos da Promotoria e da defesa de Jairinho ainda buscam reverter partes das decisões judiciais.