Justiça solta jovens presos por suposta tentativa de homicídio contra PMs
Justiça do Rio solta dois jovens presos por tentativa de homicídio contra PMs após quase dois anos. Análise de câmeras corporais e falta de provas indicaram que disparos contra viatura partiram de policial.

A 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou a soltura de Renan dos Santos Nascimento Silva e Douglas Mendes da Silva, que estavam presos desde outubro de 2024 sob a acusação de tentativa de homicídio contra dois policiais militares. A decisão, unânime entre os desembargadores, baseou-se em fragilidades na investigação e na falta de provas suficientes para sustentar a acusação.
## Análise de Câmeras Corporais Contesta Versão Policial
Um dos pontos cruciais para a decisão judicial foi a análise de imagens registradas pelas câmeras corporais dos próprios policiais envolvidos na ocorrência. Um relatório técnico, elaborado pelo Projeto Mirante em parceria com a Defensoria Pública, sincronizou e examinou detalhadamente as gravações. Essa reconstrução indicou que a perseguição ao veículo onde estavam os acusados durou cerca de dois minutos e dez segundos. Durante esse período, um dos policiais militares efetuou ao menos dez disparos de fuzil contra o carro. O estudo técnico concluiu que o disparo que atingiu o retrovisor da viatura policial, apontado na denúncia como prova de que os ocupantes do carro atiraram contra os PMs, partiu da arma do próprio policial.
## Falhas na Investigação e Ausência de Provas
A Justiça também apontou a ausência de perícias consideradas essenciais para a comprovação da acusação. Não foram realizadas perícias no local da ocorrência, nem na viatura policial, tampouco no veículo dos acusados. Além disso, a arma que supostamente teria sido utilizada pelos jovens para atirar contra os policiais jamais foi encontrada. Para a Câmara Criminal, a falta desses elementos enfraqueceu significativamente a acusação, tornando o acervo probatório insuficiente para demonstrar que os réus agiram com o dolo de matar.
## O Caso e as Consequências
O incidente ocorreu na madrugada de 28 de outubro de 2024, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Segundo a versão policial, houve uma perseguição a um Hyundai HB20 que desobedeceu a uma ordem de parada. Durante a fuga, os agentes afirmaram ter reagido a disparos vindos do carro, resultando em uma troca de tiros. Quatro ocupantes do veículo foram baleados, e um deles, Pablo Roberto da Silva Barbosa, morreu. Renan e Douglas, juntamente com Alessandro Soares Bandeira, foram acusados de tentativa de homicídio. Com a decisão do TJRJ, Renan e Douglas responderão em liberdade pela acusação de tentativa de homicídio, enquanto Alessandro Soares Bandeira continuará preso, pois responde também por corrupção ativa e resistência à prisão. Paralelamente, a Defensoria Pública move uma ação para responsabilizar o estado pela morte de Pablo Roberto da Silva Barbosa. A decisão reforça a importância das câmeras corporais como instrumento de produção de provas em casos envolvendo ações policiais.