Justiça ordena que Marcelo D2 credite compositora em nova música
Justiça do Rio de Janeiro ordena que Marcelo D2 e gravadora creditem sambista Geovana na música 'Tataruê'. Decisão atende a processo por direitos autorais e debate ancestralidade do samba.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro emitiu uma ordem liminar determinando que o rapper Marcelo D2 e a gravadora Universal Music Brasil incluam o nome da sambista Geovana na regravação da canção "Tataruê". A música faz parte do álbum mais recente de D2, "Manual Prático do Novo Samba Tradicional, Vol. 3". A decisão atende a um processo judicial iniciado em maio de 2026 pela sambista e pelo Coletivo Sindicato do Samba, que alegam violação de direitos autorais.
Geovana e seu coletivo afirmam que a obra foi utilizada por Marcelo D2 sem autorização prévia e sem o devido reconhecimento de autoria. A disputa judicial aborda não apenas o crédito da composição, mas também o respeito à ancestralidade do samba e as questões éticas envolvidas no uso comercial de canções.
Em nota oficial, o coletivo Sindicato do Samba expressou surpresa com a gravação e ressaltou a importância de Geovana, descrita como "Deusa Negra do Samba Rock" e figura histórica do gênero, com vasta convivência com nomes como Candeia e Silas de Oliveira.
Marcelo D2 se pronunciou através de suas redes sociais, lamentando a situação e afirmando ter grande respeito por Geovana, sua obra e a história do samba. O artista declarou que a homenagem chegou a um ponto que o entristece, pois sua carreira sempre buscou aproximar gerações e tradições sem desrespeitar os precursores.
"Tataruê" é uma das composições de destaque de Geovana, que também é autora de clássicos como "Irene". Após um período afastada, a artista retomou sua carreira na década de 2010, fortalecendo sua conexão com o Coletivo Sindicato do Samba. A música em questão, lançada originalmente em 1975, contém referências à ancestralidade negra, religiosidade de matriz africana e à história familiar da compositora.
O coletivo argumenta que a versão de Marcelo D2 mantém elementos da gravação original, mas sem os créditos devidos. A discussão, segundo eles, transcende a questão dos direitos autorais, englobando um debate sobre negritude, etarismo e a valorização dos pioneiros da música popular brasileira em vida.