Justiça Libera Líder de Quadrilha e Dois Réus do Tráfico em MS
Justiça de MS revoga prisões de líder de quadrilha e dois réus por tráfico, comércio de armas e lavagem de dinheiro. Trio usará tornozeleira e cumprirá toque de recolher.

A Justiça de Mato Grosso do Sul revogou as prisões preventivas de três homens acusados de envolvimento em tráfico de drogas, comércio de armas e lavagem de dinheiro em Campo Grande. A decisão, publicada no Diário da Justiça do estado, beneficia William Alves Ribeiro, conhecido como "Peixe" e apontado como líder da organização criminosa, seu irmão Welder Alves Ribeiro, e Bruno Antônio Guido Benzi.
## Restrições Impostas
Apesar da liberdade, o trio continuará sob monitoramento judicial. As medidas cautelares incluem o uso de tornozeleira eletrônica, que deverá permanecer instalada até o fim do processo judicial. Além disso, os réus estão proibidos de deixar os limites territoriais de Campo Grande sem autorização e devem cumprir recolhimento domiciliar entre as 22h e as 6h. Qualquer mudança de endereço também requer aprovação prévia da Justiça.
## Operação Contra-Ataque III
William "Peixe" foi originalmente preso em agosto de 2025, durante a operação "Contra-Ataque III", uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal. As investigações apontaram que ele liderava um grupo criminoso especializado em tráfico de drogas, comércio de armas e lavagem de dinheiro. Na ocasião de sua prisão, ele foi detido em sua residência e tentou destruir seu celular, que foi apreendido e encaminhado para perícia. Motocicletas de alta cilindrada e veículos foram encontrados e apreendidos no local.
## Esquema Criminoso
As investigações revelaram um esquema complexo que utilizava empresas, contas bancárias e bens de terceiros para movimentar recursos provenientes do tráfico. A suspeita é de que mercadorias agrícolas e empresas registradas em diversos setores (transporte, veículos, construção civil, comércio) eram empregadas para ocultar a origem ilícita dos fundos e disfarçar operações financeiras sem lastro fiscal compatível. Welder, irmão de William, também foi identificado como parte do esquema, com ligações a empresas de transporte.
## Origem e Compartilhamento de Provas
O caso teve início a partir de apreensões realizadas pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Minas Gerais, que investigava um grupo criminoso atuante no Triângulo Mineiro. Com a identificação de fornecedores sediados em Campo Grande, provas foram compartilhadas com a Superintendência da PF em Mato Grosso do Sul pela 1ª Vara Criminal de Uberaba (MG). A decisão de revogar as prisões foi tomada após a análise das evidências e a necessidade de manutenção das medidas cautelares para garantir o andamento do processo.
## Implicações da Decisão
A revogação das prisões preventivas significa que William, Welder e Bruno deixarão o sistema prisional, mas permanecem como réus no processo. As restrições impostas visam assegurar que eles não interfiram nas investigações, não fujam da Justiça e não voltem a cometer crimes enquanto o processo tramita. A expedição dos alvarás de soltura e a comunicação à Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) para instalação das tornozeleiras já foram determinadas.