Justiça determina desocupação de área do MST no Espírito Santo

Justiça do ES determina que famílias do MST desocupem Fazenda Palhal em Linhares em 120 dias. Governo estadual retoma posse após desistir de doação ao Incra.

Justiça determina desocupação de área do MST no Espírito Santo

A Justiça do Espírito Santo determinou que famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocupem a Fazenda Palhal, localizada em Linhares, no norte do estado. A decisão da Vara da Fazenda Pública de Linhares, proferida nesta quinta-feira (9), estabelece um prazo de 120 dias para a reintegração de posse da área, que possui mais de quatro milhões de metros quadrados. O governo do Espírito Santo solicitou a retomada da propriedade, que em um primeiro momento seria doada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para o assentamento de 31 famílias.

## Contexto da Decisão

O governo estadual desistiu da doação da Fazenda Palhal ao Incra, que já havia oficializado o projeto de assentamento e estava na fase final de conclusão da transferência do imóvel. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) reforçou o pedido de reintegração de posse, argumentando que o governo tem interesse na propriedade e que negociações para uma solução consensual não obtiveram êxito. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) também se manifestou, indicando que todas as tentativas de acordo foram esgotadas e que o processo, em andamento desde 2021, não comporta mais adiamentos.

## Procedimentos para a Desocupação

A decisão judicial prevê que a desocupação voluntária ocorra de forma gradual e escalonada em 120 dias. Durante este período, os órgãos de assistência social do estado e de Linhares deverão articular o encaminhamento das famílias em situação de vulnerabilidade para abrigos públicos ou locais adequados. A retirada só será efetivada após comunicação às famílias e uma inspeção prévia no local, com acompanhamento de órgãos de Direitos Humanos, Defensoria Pública e Ministério Público, para avaliar a situação social antes do cumprimento da reintegração. A ordem judicial orienta que a remoção siga diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorra em horário diurno e evite confrontos que coloquem vidas em risco.

## Histórico da Propriedade

A Fazenda Palhal foi ocupada pelo MST em maio de 2015. Anteriormente, a área havia sido cedida à Petrobras, que tentou reaver a posse na Justiça. Após o fim do contrato de concessão, o Estado solicitou a destinação do terreno para um projeto de interesse público. No entanto, em junho de 2019, o MST ocupou novamente a área. Negociações para a desocupação não foram bem-sucedidas, levando o Estado a ingressar com a ação de reintegração de posse em 2021. O processo passou por diversas fases, incluindo períodos de suspensão para busca de acordo, até a recente decisão judicial.

## Pontos de Esclarecimento

A Defensoria Pública do Espírito Santo, por meio do Núcleo de Defesa Agrária e Moradia (Nudam), indicou que alguns pontos da sentença necessitam de esclarecimento. Entre eles, está a possibilidade de indenização para as famílias que residem na propriedade há mais de seis anos e que possuem produção e moradia no local. Outra dúvida refere-se à coordenação dos trabalhos durante o prazo de 120 dias para remoção. As informações sobre a sentença serão apresentadas às famílias pelo coordenador nacional do MST no estado, que pretende consultar o Incra sobre os detalhes do cumprimento da decisão.