Justiça Bloqueia R$ 19,7 Milhões de Administradora de Irmandades Históricas

Justiça bloqueia R$ 19,7 milhões de Brígida Rachid, administradora de irmandades históricas no Rio de Janeiro, em investigação que apura desvio de patrimônio de até R$ 500 milhões.

Justiça Bloqueia R$ 19,7 Milhões de Administradora de Irmandades Históricas

A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de R$ 19,7 milhões em bens de Brígida Rachid José Pedro, administradora de duas irmandades religiosas históricas no Centro da cidade: a Irmandade de São Brás e a Ordem Terceira da Boa Morte. A decisão da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa (ORCRIM) atende a um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que investiga supostos prejuízos que podem chegar a R$ 500 milhões ao patrimônio dessas instituições.

## Detalhes da Investigação

As irmandades, que incluem a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, com obras do Mestre Valentim, estão fechadas ao culto católico há anos. A investigação aponta que Brígida Rachid pode ter utilizado as entidades como meio para acumular riqueza pessoal. Além do bloqueio financeiro, que foi efetivado via sistema SISBAJUD, a Justiça também determinou restrições sobre veículos da investigada por meio do sistema RENAJUD. Detalhes do processo revelam que a administradora teria alterado a fachada de um edifício histórico, destruído afrescos e adquirido quatro imóveis no Leblon, pertencentes a uma das irmandades, por valores abaixo do mercado. Recentemente, duas imagens sacras tombadas desapareceram da igreja, e infiltrações passaram a afetar a sacristia após Brígida retomar a administração por liminar.

## Histórico e Próximos Passos

O caso ganhou destaque após reportagens que detalharam o abandono do patrimônio histórico e a concentração da administração das irmandades na família Rachid por décadas. Inicialmente tratado como uma disputa administrativa, o caso evoluiu para uma investigação criminal com o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público. A Justiça acatou o pedido de afastamento de Brígida da administração e o bloqueio de bens. O juiz Renan de Freitas Ongaratto, responsável pelo caso, determinou a intimação do Ministério Público e da defesa para manifestação sobre o bloqueio patrimonial. A intervenção judicial visa apurar a dimensão das medidas adotadas e a correta gestão dos bens religiosos, que possuem um valor estimado em cerca de R$ 500 milhões. O IPHAN já realizou intervenções emergenciais para preservar o imóvel tombado devido a danos causados por cupins.