Justiça anula justa causa de bancária demitida por competir em fisiculturismo
Justiça da Bahia anula justa causa de bancária demitida por competir em fisiculturismo durante licença médica para tratamento de saúde mental.

Uma bancária do Banco Santander, em Itabuna, no sul da Bahia, teve a sua justa causa anulada pelo Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA). A funcionária havia sido demitida após participar de uma competição de fisiculturismo enquanto estava afastada do trabalho para tratamento de transtornos psicológicos.
A mulher recebia licença médica para tratar de ansiedade, com quadros de esgotamento físico e mental, incluindo crises de choro, tremores e perda de memória. A decisão do TRT-BA, divulgada nesta sexta-feira (10), considerou a demissão ilegal. Atualmente, a decisão ainda está sujeita a recursos.
O caso levanta discussões sobre os limites da atuação de empregadores em relação à saúde e atividades de lazer de funcionários afastados por motivos médicos. A Justiça do Trabalho, ao reverter a justa causa, sinaliza a necessidade de uma análise mais aprofundada sobre as circunstâncias e o impacto da participação em eventos externos na recuperação do trabalhador.
O banco alegou que a participação em um campeonato de fisiculturismo, uma atividade que exige alto rendimento físico, seria incompatível com o estado de saúde mental declarado pela funcionária para justificar o afastamento. Contudo, a decisão judicial considerou que a prática esportiva, mesmo que de alto rendimento, não necessariamente compromete a recuperação de transtornos psicológicos, especialmente quando não há evidências concretas de que a atividade tenha agravado o quadro da bancária ou descumprido diretamente as orientações médicas.
A defesa da bancária argumentou que a participação no evento não impedia seu tratamento e que a demissão foi desproporcional. O TRT-BA acatou os argumentos, anulando a justa causa e, presumivelmente, abrindo caminho para que a funcionária seja reintegrada ou receba as devidas indenizações, dependendo dos desdobramentos legais e de eventuais recursos.
Este julgamento pode abrir precedentes para casos semelhantes, onde a interpretação sobre o que configura falta grave durante licença médica pode ser reavaliada. A decisão reforça a importância de considerar o bem-estar e os direitos dos trabalhadores em situações de afastamento por questões de saúde mental, equilibrando as exigências do contrato de trabalho com a necessidade de recuperação.
A expectativa é que a decisão final, após análise de possíveis recursos, estabeleça diretrizes mais claras sobre a conduta esperada de funcionários afastados e a margem de ação das empresas nesses contextos.