Instagram em Julgamento: Tennessee Acusa Meta de Vício em Adolescentes
Tennessee processa Meta nos EUA, alegando que o Instagram foi criado para viciar adolescentes e prejudicar a saúde mental. Julgamento pode forçar mudanças na plataforma e gerar multas.

O futuro do Instagram pode ser redefinido por um julgamento que se inicia nesta segunda-feira em Nashville, Tennessee, nos Estados Unidos. O estado acusa a Meta, empresa controladora da rede social, de ter projetado deliberadamente a plataforma para fomentar o uso compulsivo entre adolescentes, ao mesmo tempo em que supostamente ocultou os riscos associados à saúde mental dessa faixa etária. A seleção do júri marca o início de um processo que se soma a uma série de ações legais contra a Meta nas próximas semanas, com potenciais consequências que incluem pesadas multas e alterações significativas no funcionamento do Instagram.
## Acusações Detalhadas Contra a Meta
A ação judicial, movida pelo gabinete do procurador-geral Jonathan Skrmetti, argumenta que diversos recursos do Instagram foram intencionalmente criados para maximizar o tempo de conexão dos jovens. Segundo a acusação, pesquisas internas da própria Meta teriam alertado sobre os efeitos negativos dessas funcionalidades, mas a empresa teria optado por não investir em soluções para mitigar os danos. Ademais, alega-se que a Meta realizou declarações públicas enganosas sobre a segurança da plataforma. Entre os elementos específicos que estão sob escrutínio judicial estão a reprodução automática de conteúdos, a dinâmica dos vídeos curtos do Instagram Reels, o envio de notificações frequentes e a natureza efêmera de certos conteúdos que desaparecem após um tempo determinado. O Tennessee busca, com base nesses pontos, a imposição de sanções financeiras e a modificação dessas funções.
## Defesa da Meta e Cenário Jurídico
Em sua defesa, a Meta reitera que já implementou diversas ferramentas de proteção para usuários adolescentes, como configurações de segurança e opções para pais gerenciarem o uso. Um porta-voz da empresa afirmou que a Meta investiu uma década no desenvolvimento de medidas de segurança apropriadas e ferramentas parentais. A companhia também alega que a responsabilidade recai sobre o conteúdo gerado pelos próprios usuários, invocando a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações para se eximir de responsabilidade por materiais de terceiros. A empresa tem consistentemente negado irregularidades em casos semelhantes, assim como a Snap, que enfrenta processos parecidos.
## Implicações e Precedentes
O julgamento no Tennessee é o segundo caso em que um estado americano leva a Meta a um tribunal. Um veredito anterior no Novo México determinou que a empresa enganou consumidores sobre a segurança de suas plataformas – Facebook, Instagram e WhatsApp –, resultando em uma indenização de US$ 375 milhões. O caso atual pode estabelecer um precedente importante. Se o júri decidir a favor do Tennessee, o juiz avaliará as multas, que podem chegar a US$ 1.000 por infração, e as alterações necessárias no Instagram. Paralelamente, outras ações judiciais nos estados da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey, além de um julgamento federal em agosto que reúne alegações de 29 estados, continuam a avançar, indicando um escrutínio generalizado sobre o impacto das redes sociais na juventude.