Herança e Morte: Justiça Suspende Inventário e Ex-Verdeadora é Assassinada

Inventário de ex-vereadora é suspenso e herdeira é assassinada. Polícia investiga disputa por herança e prende sobrinho da vítima e executor.

Herança e Morte: Justiça Suspende Inventário e Ex-Verdeadora é Assassinada

Um intrincado caso de disputa por herança e reconhecimento familiar culminou em um trágico assassinato em Ribas do Rio Pardo, Mato Grosso do Sul. A Justiça suspendeu o processo de inventário da ex-vereadora Magnólia Fogaça Marques apenas seis dias antes de uma de suas herdeiras presumidas, Maria José de Oliveira Beserra, de 70 anos, ser brutalmente morta com 14 facadas em sua própria residência.

A decisão judicial, proferida em 23 de junho, atendeu a um pedido de Maria José e sua irmã, Maria Jeni de Oliveira Gois. As duas buscavam o reconhecimento formal da maternidade socioafetiva por parte de Magnólia, argumentando que foram criadas pela ex-vereadora como filhas, apesar de não haver adoção legal. Segundo a petição, Maria José conviveu com Magnólia por 67 anos, e Maria Jeni foi criada por ela desde a infância, consolidando uma relação familiar de afeto e dependência.

## Disputa Familiar e Patrimônio em Jogo

O cerne da questão reside na divisão de um patrimônio declarado de R$ 371 mil, que inclui diversos imóveis e bens. O reconhecimento da maternidade socioafetiva pelas irmãs poderia alterar significativamente a composição do quadro sucessório, ampliando o número de herdeiros e, consequentemente, a divisão dos bens deixados por Magnólia, que faleceu em 2024. A ação judicial pedia a suspensão do inventário até que a questão da maternidade fosse definitivamente julgada.

O juiz responsável pelo caso acatou o pedido de suspensão, justificando que a continuidade do inventário poderia gerar atos sujeitos a revisão futura, caso o pedido de reconhecimento de parentesco fosse aceito. O processo foi paralisado por um ano ou até o julgamento da ação de maternidade socioafetiva.

## Investigação Aponta Para Mandante

O assassinato de Maria José ocorreu em 29 de junho, apenas seis dias após a suspensão do inventário. Rogério Nascimento da Silva confessou o crime, alegando ter agido a mando de Fábio Santos Fogaça, sobrinho da vítima e também herdeiro de Magnólia. Segundo a confissão de Silva, a execução teria sido motivada por uma promessa feita anteriormente por Fogaça, que teria inclusive fornecido bebidas alcoólicas e drogas ao executor.

A Polícia Civil investiga o caso como homicídio qualificado, com a disputa pela herança sendo apontada como a principal motivação. Fábio Santos Fogaça, 45 anos, foi preso preventivamente. O caso levanta sérias questões sobre os desdobramentos de disputas familiares e a complexidade das leis de sucessão no Brasil.