EUA investigam AFA por suspeita de fraude e lavagem de dinheiro

Departamento de Justiça dos EUA investiga AFA por suspeita de fraude e lavagem de dinheiro através de empresa de fachada nos EUA, apurando desvio de fundos e contratos fraudulentos.

EUA investigam AFA por suspeita de fraude e lavagem de dinheiro

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal contra a Associação de Futebol Argentino (AFA) e seus dirigentes, suspeitando de crimes como lavagem de dinheiro e fraude bancária. A apuração se concentra em transferências multimilionárias realizadas entre a AFA e a TourProdEnter LLC, uma empresa sediada na Flórida, nos EUA, que firmou um acordo comercial com a entidade esportiva em 2021. A investigação busca determinar se fundos da AFA foram desviados ilegalmente para terceiros por meio de contratos e faturas fraudulentas, utilizando o sistema bancário americano.

## Detalhes da Investigação

A TourProdEnter LLC, registrada em nome de Erica Gillette, esposa do produtor teatral Javier Faroni, é o principal foco das autoridades americanas. Desde 2021, a empresa arrecadou centenas de milhões de dólares da AFA, provenientes de patrocínios, amistosos e premiações. Esses valores foram canalizados através de contas bancárias da TourProdEnter em cinco grandes bancos dos EUA, o que justifica a jurisdição americana sobre o caso. Os investigadores buscam reconstruir as interações entre a empresa, seus proprietários e o presidente da AFA, Claudio “Chiqui” Tapia, além de outros dirigentes e funcionários da entidade.

## Paralelos e Jurisdições

A investigação nos Estados Unidos, liderada por procuradores experientes em crimes financeiros internacionais, não se confunde com processos em andamento na Argentina. Embora dirigentes da AFA, como Tapia e Pablo Toviggino, também sejam investigados na justiça argentina, as apurações tratam de supostas práticas criminosas distintas e em jurisdições separadas. Assim, a garantia constitucional de "non bis in idem" (não ser julgado duas vezes pelo mesmo crime) não seria violada.

A investigação americana teve início no último trimestre de 2025, a partir de uma denúncia formalizada pelo empresário argentino Guillermo Tofoni. Tofoni, que processa a AFA na Argentina por suposta violação de contrato de representação comercial, solicitou a liberação de registros bancários da TourProdEnter nos EUA. Com essas informações, ele acionou o Departamento de Justiça americano, detalhando as supostas irregularidades.

Diversas pessoas e empresas foram contatadas pelos procuradores americanos e agentes do FBI, incluindo ex-colaboradores da AFA e companhias estrangeiras que realizaram negócios com a entidade argentina e transferiram fundos para a TourProdEnter LLC.