Disputa por R$ 29 milhões: bilhete danificado vira caso de polícia em MT
Disputa judicial em Sinop (MT) por R$ 29 milhões da Mega-Sena. Ex-funcionária e dono de lotérica brigam pela posse de bilhete danificado que continha as dezenas sorteadas.

Uma disputa judicial milionária envolvendo um bilhete danificado da Mega-Sena mobiliza a Justiça em Sinop, no Mato Grosso. O prêmio em questão soma R$ 29 milhões e opõe a proprietária de uma casa lotérica a uma ex-funcionária, que alega ter direito sobre a aposta.
O caso teve início em agosto de 2023, quando Clarice Simon, então operadora de caixa na lotérica, registrou um jogo para uma cliente, mas a máquina apresentou falha na impressão, danificando o comprovante. Conforme a investigação, Clarice emitiu um novo bilhete com os mesmos números para a cliente, que levou o comprovante correto e posteriormente sacou sua parte no prêmio. O bilhete danificado, no entanto, foi guardado por Clarice em um cofre desativado.
## Descoberta do prêmio e acusações
Dias após o sorteio, no qual dois dos quatro ganhadores foram de Sinop, Clarice retornou ao trabalho e, com a ajuda de uma colega, conferiu o bilhete danificado. Para sua surpresa, as seis dezenas sorteadas batiam com a aposta. Pouco tempo depois, Clarice se dirigiu a uma agência da Caixa Econômica Federal com seu marido, Cladecir Picoli, alegando que o bilhete era dele.
## Bloqueio judicial e argumentos
A Caixa bloqueou o prêmio por 90 dias para averiguações devido às rasuras. Em outubro de 2023, o proprietário da lotérica, Amélio Lenke, registrou uma queixa-crime contra Clarice e Cladecir por furto qualificado. O casal tornou-se réu em setembro de 2025.
A defesa de Clarice argumenta que, caso um bilhete apresentasse defeito, o procedimento padrão na lotérica era que o funcionário arcasse com o custo, o que, segundo ela, teria sido feito. A colega que a auxiliou na conferência do bilhete confirmou que Clarice arcou com o valor do jogo danificado.
Por outro lado, o representante legal de Amélio Lenke sustenta que as normas operacionais da Caixa impedem a apropriação de bilhetes com defeito de impressão, independentemente do valor da aposta. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, informou que não comenta processos judiciais em andamento, mas garante seguir rigorosamente a legislação e as ordens judiciais.
## Ministério Público e futuro do prêmio
O Ministério Público, embora tenha oferecido denúncia contra o casal, manifestou a opinião de que o prêmio não pertence formalmente nem à ex-funcionária, nem à empresa lotérica. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso agendou o início das audiências para fevereiro de 2027, quando se definirá o destino dos R$ 29 milhões.
O caso levanta questões sobre a responsabilidade em casos de falhas de impressão em apostas lotéricas e a interpretação das normas da Caixa Econômica Federal em situações de litígio.