Desembargadora critica 1ª instância e OAB-ES em sessão tensa

Desembargadora do TRT-17 (ES) critica 1ª instância e OAB, que anuncia desagravo. Magistrada acusa OAB de misoginia. Votação sobre reestruturação de servidores é adiada.

Desembargadora critica 1ª instância e OAB-ES em sessão tensa

Uma sessão administrativa do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-17), no Espírito Santo, tornou-se palco de um embate entre a vice-presidente da Corte, desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, e a Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Espírito Santo (OAB-ES). A magistrada criticou veementemente a produção da primeira instância da Justiça do Trabalho, afirmando que "o primeiro grau não está produzindo nada", em contraste com o "produzir loucamente" do segundo grau. A declaração ocorreu em meio à discussão de uma minuta de resolução que propunha a reestruturação da força de trabalho da Corte, com o deslocamento de servidores do primeiro para o segundo grau.

O pedido inicial da OAB-ES, feito por sua presidente Erica Neves, era pelo adiamento da votação da resolução, a fim de que a Ordem pudesse analisar a proposta e seus possíveis impactos na prestação jurisdicional e no atendimento aos advogados. A desembargadora Marise Chamberlain manifestou forte descontentamento com a solicitação, questionando a atuação da OAB e defendendo a necessidade de deslocamento de servidores, com base em um diagnóstico da Corregedoria. "Vem a OAB dizer 'ah, não reestrutura não', mas continuem se ferrando, trabalhando feito uns animais, que é o que a gente faz", declarou a magistrada, em uma fala que gerou reações imediatas.

## Reação da OAB e acusação de misoginia

A presidente da OAB-ES, Erica Neves, considerou as declarações da desembargadora como um "destempero" e uma agressão à advocacia. "A gente foi extremamente agredida nessa fala da doutora Marise. A divergência a gente respeita, mas não vamos aceitar uma desembargadora destratar a Ordem, porque destrata a advocacia", afirmou Neves, anunciando que a OAB-ES providenciaria um ato de desagravo.

Em resposta, a desembargadora Marise Chamberlain acusou a presidente da OAB-ES de misoginia. "Tenho 61 anos de idade e nunca falei para nenhuma mulher que ela era destemperada. Nunca, jamais. Muito me admira que a presidente da OAB tenha dito que eu sou destemperada. Isso é um desrespeito com a mulher. Acho isso de uma misoginia", disse a magistrada, dirigindo-se diretamente a Erica Neves. A OAB-ES pretende levar o episódio ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde a desembargadora já responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) por mensagens enviadas em grupo de WhatsApp com críticas a colegas e a ministros do STF.

## Adiamento da votação

Ao final, a maioria dos desembargadores do TRT-17 decidiu acatar o pedido da OAB-ES e adiou a votação da resolução sobre a reestruturação de servidores. A decisão visa permitir que a Ordem possa se posicionar oficialmente sobre a proposta antes de sua aprovação final. Enquanto isso, a desembargadora Marise Chamberlain segue sob investigação no CNJ, com medidas cautelares que a impedem de exercer funções de direção no tribunal, exceto a vice-presidência, e de se candidatar à presidência.