Credores da Americanas acusam varejista de falhas em pagamentos
Credores da Americanas acusam a varejista de falhas e atrasos em pagamentos sob o plano de recuperação judicial. Pedem que a empresa permaneça sob supervisão da Justiça.

Credores da Americanas, que fazem parte do processo de recuperação judicial da varejista, ingressaram com ações na Justiça alegando falhas significativas no cumprimento do plano de pagamento. Este plano foi aprovado em assembleia no final de 2023.
As empresas credoras argumentam que, devido a essas inconsistências nos pagamentos, a Americanas não estaria em condições de antecipar sua saída do regime de recuperação judicial. A varejista havia solicitado essa antecipação em março deste ano, um pedido que ainda está em análise pela Justiça.
## Reclamações Detalhadas na Justiça
Três petições distintas, protocoladas entre março e maio deste ano na 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, detalham as reclamações. Entre as alegações estão pagamentos parciais, descontos indevidos na conversão de dívidas de dólares para reais, alterações na classificação dos credores e atrasos recorrentes nos repasses.
A Americanas, por meio de nota oficial, declarou que as manifestações de credores específicos são esperadas dentro da dinâmica de um processo de recuperação judicial e que a companhia tem prestado todos os esclarecimentos necessários.
## Momento Crítico para a Varejista
A contestação dos credores surge em um momento particularmente delicado para a Americanas. A empresa busca ativamente sair da recuperação judicial para facilitar a captação de novos créditos, tanto com fornecedores quanto com instituições financeiras. Essa transição para uma nova fase é vista como crucial para a recuperação e estabilidade financeira da companhia.
Paralelamente, a Operação Disclosure, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, entrou em sua segunda fase. A investigação apura a participação de acionistas, membros do conselho de administração e executivos de bancos no que é considerado a maior fraude contábil da história do Brasil, com um rombo estimado em R$ 25,3 bilhões. A operação, deflagrada em 25 de maio, pegou muitos envolvidos de surpresa.
## Análise Especializada e Futuro da Recuperação Judicial
Especialistas indicam que a investigação em curso pode influenciar a decisão judicial sobre a saída da Americanas da recuperação judicial. A permanência sob fiscalização da Justiça poderia ser vista como uma medida de cautela enquanto as investigações prosseguem. A exigência de que os controladores sejam responsabilizados por fraudes ou má gestão é um ponto levantado por advogados que representam credores, visando garantir o recebimento integral das dívidas com juros.
Um episódio específico mencionado é o pagamento antecipado de R$ 1 bilhão em debêntures no dia em que o escândalo contábil veio à tona, em janeiro de 2023. Credores argumentam que este ato pode ter favorecido alguns credores em detrimento de outros, configurando uma possível "segunda fraude" que teria contribuído para a falta de caixa e o consequente pedido de recuperação judicial. A mobilização dos credores busca impedir que a Americanas se beneficie de uma saída antecipada do processo, exigindo a comprovação de que todas as obrigações financeiras foram honradas.