Conselho de Medicina de MT Cancela 21 Registros Médicos por Irregularidades

Conselho de Medicina de Mato Grosso cancela 21 registros médicos de profissionais com diplomas revalidados pela UnirG, após decisões judiciais apontarem irregularidades formais.

Conselho de Medicina de MT Cancela 21 Registros Médicos por Irregularidades

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) tomou a decisão de cancelar ou não efetivar 21 registros profissionais de médicos. Essas concessões haviam sido obtidas por meio de decisões liminares e se referiam a profissionais formados no exterior cujos diplomas foram revalidados pela Universidade de Gurupi (UnirG). A medida surge após uma série de determinações judiciais que apontaram dúvidas significativas sobre a regularidade dos processos de revalidação, culminando na revogação das autorizações provisórias para inscrição no conselho.

## Questionamentos Formais e Atuação do CRM-MT

A atuação do CRM-MT neste caso foca na verificação do cumprimento dos requisitos formais necessários para o registro profissional, e não no mérito acadêmico da revalidação, que é de competência exclusiva das universidades. A posição do conselho foi reforçada por decisões judiciais recentes que acolheram seus argumentos. A situação gerou repercussão nacional, levando o Conselho Federal de Medicina (CFM) a emitir orientações aos conselhos regionais em fevereiro deste ano.

## Indícios de Irregularidades e Decisões Judiciais

O cenário se alterou com o surgimento de novos fatos, incluindo uma determinação do Ministério da Educação (MEC) para que a UnirG revisasse mais de mil processos de revalidação de diplomas médicos. O MEC identificou possíveis descumprimentos da legislação federal, como a não utilização da Plataforma Carolina Bori e o não atendimento às exigências de portarias e resoluções específicas. Esses elementos foram incorporados aos processos judiciais em Mato Grosso. A Justiça Federal de Mato Grosso, em decisões recentes, reconheceu a existência de questionamentos objetivos sobre a regularidade formal dos procedimentos de revalidação, considerando o risco à saúde pública caso profissionais com diplomas sob suspeita pudessem exercer a medicina. Como resultado, liminares foram revogadas e pedidos de inscrição negados definitivamente, com o reconhecimento de que a autonomia universitária deve respeitar as normas federais.

## Proteção da Sociedade como Foco

Para o presidente do CRM-MT, Adriano Bastos Pinho, as decisões judiciais validam a atuação do conselho, que sempre agiu dentro dos limites legais e com foco na proteção da sociedade. Ele enfatizou que o CRM-MT não questiona a autonomia das universidades, mas cumpre seu dever legal de verificar a conformidade dos documentos para o exercício da medicina.