Advogado é investigado por reter R$ 416 mil de cliente em SP
Advogado em Campinas (SP) é investigado pela OAB e MP por suposta apropriação indébita de R$ 416 mil de cliente. Três prazos de pagamento foram descumpridos.

Um advogado de Campinas (SP), José Antonio Cremasco, está sob investigação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por supostamente reter R$ 416 mil, valor referente a uma ação judicial ganha por um cliente. O caso ganhou contornos mais sérios após o advogado descumprir por três vezes prazos acordados para o repasse da quantia, que já descontava os honorários advocatícios.
## Apropriação Indébita em Apuração
O processo disciplinar na 17ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB, que também envolve a filha do defensor, Thais Proença Cremasco, apura se os fatos configuram apropriação indébita. O MP-SP acompanha o caso para verificar possíveis desdobramentos criminais. Segundo informações, a suposta vítima teria direito ao montante após vencer um processo contra uma empresa. No entanto, após a transferência de R$ 490 mil para uma conta ligada ao escritório Cremasco em 14 de março de 2024, o repasse da quantia devida não teria ocorrido, mesmo após diversas cobranças.
## Prazos Ignorados e Contestações
Registros de mensagens apresentados à Polícia Civil e capturas de tela mostram as tentativas de negociação e os prazos combinados. O primeiro acordo previa o pagamento até 16 de agosto de 2024, mas foi descumprido. O advogado alegou um desvio no escritório e estabeleceu um novo prazo, para 20 de setembro de 2024, que também não foi cumprido. Em conversas, ele chegou a afirmar que "se dependesse apenas de mim pode estar certa de que já teria resolvido".
Diante da falta de resposta e do descumprimento dos acordos, a suposta vítima registrou um boletim de ocorrência e levou o caso à OAB. No processo disciplinar, José Antonio Cremasco contestou o valor de R$ 416 mil, afirmando que o montante correto seria R$ 165,8 mil. Mesmo assim, ele propôs uma nova data para a resolução, 20 de janeiro de 2025, que também foi descumprida, conforme informado pela defesa da denunciante em março de 2025.
O advogado declarou ao portal G1 que não comentaria detalhes do caso, mas que nunca teve a intenção de reter dinheiro de clientes e que os atrasos ocorreram por "situações específicas" que seriam esclarecidas. A denúncia levanta sérias questões sobre a conduta profissional e a confiança depositada por clientes em seus advogados.