Advogado chinês asilado nos EUA é preso e corre risco de deportação
Advogado chinês de direitos humanos, Wu Shaoping, que fugiu da China e pediu asilo nos EUA, foi preso pelo ICE e corre risco de deportação, gerando preocupação entre ativistas.

Um advogado chinês de direitos humanos, Wu Shaoping, de 58 anos, que buscou refúgio nos Estados Unidos após fugir da perseguição política em seu país, foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE). A prisão ocorreu enquanto Wu aguardava a decisão sobre seu pedido de asilo, levantando temores entre ativistas sobre uma possível deportação para a China. Wu deixou a China no final de 2019, após participar de um encontro de defensores das liberdades civis em Xiamen. Logo depois, diversas pessoas presentes no evento foram detidas pelas autoridades chinesas, incluindo outros advogados conhecidos. Ele chegou aos EUA com visto de turista e formalizou o pedido de asilo em 2020, trabalhando como entregador da Amazon e mantendo atividades em defesa das liberdades civis na comunidade chinesa enquanto o processo tramitava.
## Detenção e Processo Migratório
A detenção de Wu ocorreu durante uma abordagem de trânsito na Pensilvânia, enquanto ele realizava entregas. Segundo relatos, ele apresentou documentos de seu pedido de asilo pendente e autorização de trabalho às autoridades locais. No entanto, por não possuir um status migratório definitivo, os policiais acionaram o ICE, que o transferiu para um centro de detenção. O Departamento de Segurança Interna (DHS) informou que Wu permaneceu nos EUA por seis anos além da validade de seu visto de turista e garantiu que ele terá direito ao devido processo legal. O órgão também mencionou um programa que oferece auxílio financeiro e passagens para imigrantes que optem pela autodeportação.
## Preocupação e Próximos Passos
A prisão de Wu Shaoping gerou forte reação entre dissidentes chineses nos EUA, que expressaram temor em relação à política migratória do governo americano. Lideranças de movimentos pró-democracia na China afirmaram que o caso aumenta a apreensão entre exilados que buscaram proteção nos Estados Unidos. Wu, que anteriormente atuava como advogado empresarial, passou a representar minorias religiosas e dissidentes políticos na China, casos considerados sensíveis pelas autoridades e que frequentemente resultavam em perseguição. Sua esposa relatou que ele esperava que os chineses pudessem desfrutar de liberdade e democracia. A próxima audiência de imigração de Wu está agendada para 27 de julho, e ativistas de direitos humanos alertam que a detenção de requerentes de asilo pode expô-los a riscos caso sejam deportados.